quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Carta Aberta à Ana




Cara Ana,



Olha, eu sei que tu nem me conheces, pese embora ultimamente eu tenha ouvido falar muito de ti. Desde que, ontem, o porreiro do Zé te anunciou como Ministra da Saúde, eh pá, deu-se-me um apertozinho no peito... Nós, mulheres temos que ser umas prás outras, e é na qualidade de teu semelhante que agora te escrevo.

Acabaste de herdar um pepino daqueles com barba e, pobrezinha, não deves ter noção de onde te vieste meter (ou te meteram, depende da prespectiva...).

Nem sei bem por onde começar... Talvez pelo teu aspecto... Querida, tens ar de solteirona com fim de prazo a expirar. Dá um jeitinho a esse cabelo. Um cortezinho adequado ao ano que vivemos (e deixa-me recordar-te que estamos em 2008 e não em 1989) não era mau para começar. Talvez uma corzinha... não? Percebo que não queiras madeixas. Nos dias que correm há que defender uma, e uma cor, apenas... essa coisa de ter a cabeça às riscas podia até ser mal interpretado... Fazes bem, não queiras madeixas. Depois tinhas que andar sempre a puxá-las e Deus sabe que mal vais ter tempo para te coçar, quanto mais andar metidas nessas frivolidades... Abre a cor um bocadinho. Ton sûr ton, nada de escandaloso...
Põe um meicapezinho (make up, como se dizia antes do acordo...). Umas rosetas nas bochechas, um glossezinho nos lábios que seja, uns pozinhos nos olhos para te abrir o acastanhado dos olhos... Enfim, Ana, a ideia é que pareças uma mulher, percebes? Para feio já tens metade do Executivo e nestas coisas um gajo tem que primar pela diferença ou está fod... lixado com um "f" do caraças...

Tu desculpa eu estar a dizer-te estas coisas, mas não gosto que de hoje para amanhã sejas enxovalhada por causa de uma questãozinha estética de menor importância...

Depois, permite-me também, sugerir-te que, nunca jamais (jamé, como agora se diz por aí...), vás passar férias a terras que se situem de Santarém para cima... É que o povo não anda lá assim muito contente com as políticas do teu antecessor e vai que apanhavas uma gripalhada do caneco e tinhas que ir parar a uma urgênciazita... eras moça para te aleijar e à séria... e depois de tanto trabalho com o meicapezito e o penteado novo era, no mínimo, um desperdício dos diabos... mais vale não tentar a sorte, não achas?

Quanto àquela tua questãozita no tribunal de Contas, pendente desde 1992, ó Ana, tu vê lá se falas com o Ministro competente para aprovar uma leizoca que te safe... É que dá mau aspecto, percebes? Eu sei que isso já foi no tempo dos Cavaquinhos mas, mesmo assim, é mau... O povo adora historietas de maus pagadores e não é bonito começares um reinado com um pedregulho desse tamanho na tua botita Pablo Fuster (que, já agora, recomendo...).

Por último, porque não te quero maçar até porque imagino que tenhas montes de dossiês (ou dossiers, como se dizia antes do Acordo) para ver, nunca te esqueças daquela máxima fundamental, gritada há quase 34 anos... O povo é quem mais ordena! Olha que o moço que tinha o rabo sentado nessa mesma cadeira de onde agora me lês, caíu, exactamente, porque o povo de Anadia (e não só, benza-os Deus...) gritou muito perante as câmaras de televisão e organizou excursõezinhas à capital (não à Kapital, ok?) de forma a fazer-se ouvir...
Mantém-te assim lou profaile (low profile, como se dizia antes do Acordo) e tenta não remexer nas areias movediças...

.. é que, já diz o Zé (o Povinho, não o Porreiro, que ele não era moço para isso) quanto mais se mexe na merda mais ela cheira...
Digo eu, com os nervos...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Grandes vacas!!!

Com o hiper inflaccionado aumento do preço do leite em cerca de 15% no mercado nacional, os jornais de hoje anunciam que já há ruptura de stocks nas embalagens do leite em muitos hipermercados.
Ora aqui a moça, não sendo uma consumidora de leite, que por sinal detesto, mas apenas de seus derivados (queijo!! queijo!!) tem uma palavrinha a dizer.
Antes de mais urge analisar porque raio é que o leite vai subir. A mim só me subiu quando amamentei e devo dizer que é uma experiência aterradora e dolorosa.
O meu cunhado, veterinário de profissão, explicou-me que tem que ver com a muito melhor oferta que Espanha está a fazer à Lactogal.
Naaa... Eu cá não vou nessa! Eu acho é que já não há vacas como antigamente!! Agora até há (pasmem!!) vacas que riem... Mas riem de quê?? São gordas que nem umas vacas, comem o dia inteiro e de boca escarchada, não mexem a rabadilha nem o chambão para o que quer que seja, são cobridas (e não cobertas) por um moço que entretanto já alisou o pojadouro de mais uma ou duas vacas como ela... qual é a graça?!?
As vacas estão em protesto e não há ninguém que tome conta desta calamidade!! São confundidas com qualquer vagabunda que se comporte de forma menos digna, são ofendidas quando comparadas com senhoras de comportamento duvidoso ou por mulheres mal casadas e mal amadas... Mas afinal onde é que está o respeito?? E depois o povo estranha que se lhes seque o leite?! Por bem menos deixei eu de amamentar, para que conste!!
De cada vez que passa uma qualquer meretriz do falo e alguém diz, "sua vaca!!", como é que as pobrezinhas se podem sentir motivadas para produzir leite, valha-me deus??

Eu acho que a Lactogal não está metida nisto. E Espanha também não, que eles lá já têm vacas que cheguem...

Eu acho é que Portugal devia apostar na qualidade das vacas... Se for feita uma selecção cuidada, por exemplo, ao nível das capas de revistas cor-de-rosa, cedo se poderá concluir que há por aí muita vaca mal aproveitada!! Já para não falar de vacas mais recatadas que não gostam do socialaite e que não aparecem nas revistas...
Vá, meninas!! Reunam esforços e mamocas e vai de mostrar aos invejosos de que são feitos os vossos implantes mamários!! Soltem a vaca que há em vós...

Viva o leite fresquinho do dia e da hora!!
Viva a mamoca de fora apertada e esguichada!!
Viva a vaca tímida do continente (que as dos Açores são verdadeiras superstars)!!
Viva o queijo da Serra!! (oopss, entusiasmei-me, desculpem)

Portugal depende de vós!!
Digo eu, com os nervos...

domingo, 13 de janeiro de 2008

O naperon

Atenta que estou agora, por causa do casamento do meu irmão, às necessidades de equipar uma casinha de fresco (e não, não apenas com produtos hortícolas, como o agrião ou o espinafre, ou de frio, como os frigoríficos e as arcas congeladeiras), veio-se-me à lembrança essa instituição esquecida, esse resquício de outros tempos, essa memória de infância que dá pelo (belo) nome de naperon.
O que é um naperon?
Um básico diria que o naperon é uma cena para pôr entre os móveis e as cenas que se põem em cima dos móveis, por forma a evitar que os móveis apanhem (mais) pó ou então que apanhem um pó recortado à medida do naperon. Básicos!
Ficai sabendo que o naperon é muito mais do que isso!!
Eu própria tenho uma arca (de enxoval, evidentemente) cheiinha deles.
É o naperon para a cozinha, bordadinho de lado com patinhos ou galinhas (aplicável a uma cozinhazinha em tons mais recatados, talvez assim a armar à azulejaria do sec. XVII, quiça com umas pintalgadas em azul... azul e amarelo, um clássico na decoração das cozinhas!!) ou frutinhas vermelhas (não fosse dar-se a eventualidade de um dia a minha cozinha - aquelas que as mães sonham para as suas filhinhas - ser em tons do demo).
É o naperon para o quartinho dos eventuais filhos, em tons neutros (que mamãe é uma moça precavida e achou que, com a antecedência de vinte anos, não era fácil acertar no sexo da eventual criança) com motivos mais naífes, ora uma roquinha aqui em tons de verde-água, ora uns ursinhos acolá em tons de amarelo, ora umas estrelinhas acoli em tons necessariamente pastel, como que para não ferir o terno olhar do petiz que ainda estava na massa dos impossíveis.
É o naperon para o meu quarto, em tons mais sóbrios, até talvez (doidos!!!) sem qualquer bordado, em linho fino, tocado apenas ton sûr ton, elegante e sóbrio, num toque de seda persa, para colocar por baixo da imaculada imagem da Nossa Senhora em alvo biscui ou das preciosidades nipónicas que entretanto se vão coleccionando.

As mães, ao longo dos anos, vão erguendo estes não findar de peças únicas, a maioria, até, talvez bordadas pelas próprias mãos, ao calor do borralho, nas tardes quentes de Novembro (que as há!!), nas manhãs de Maio ou nos anoiteceres tardios de Julho, na esperança que as infantas, tolhidas por uma herança maternal e feminina, se afeiçoem às mesmas coisas.
O naperon é, pois, um ícone. Um símbolo de resistance que as mães usam para perpetuar a sua extraordinária (e aqui, digo-o sem qualquer ironia...) geração.

Eu, por mim, sou bastante afortunada. Pelos exemplos que aqui dei, podem (facilmente) concluir que não fui criada entre rendas de bilros, rosetas de renda ou panecos de crochet. Não!! A malta lá em casa sempre teve estudos, e um bom linho é sempre um bom linho e, quando bordado finamente, até tem o seu encanto.
Orgulho-me de vos dizer que a minha mãe (bem como a minha avó, a minha bisavó e até a minha irmã) têm umas mãos riquíssimas e um bom gosto exemplar.

Por isso, maninho, já escolhi o teu presentinho de casamento. Vais levar um conjuntinho de naperons para o teu quarto, bordados a ponto cheio, apenas numa das pontas, em tons de cru, para dar com qualquer decoração que escolhas, mais um paninho de tabuleiro para a sala, com umas casinhas abertas a toda a volta e ainda (vou perder a cabeça, é o que é!!) um naperonzinho para pores por cima do fogão, por debaixo da jarrinha de flores, para compor mais a cozinha.
E não me agradeças!!!! Vou dar-te, como aqui expliquei, muito mais do que naperons!! Vou dar-te símbolos!! Ícones!!! Heranças culturais!!!

'Inda pensei dar-te uma bandeira nacional a embrulhar um crucifixo para botares por de cima da cama, ou uma garrafinha de cristal com seis copos para whisky a condizer, mas calculei que isso toda a gente se ia lembrar...

Agora naperons?? Pfff!!!
Quem é amiga, quem é??

Digo eu, com os nervos....

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Porreiro, pá! (II)

ALCOCHETE rules!!!!!


Com que então, "margem sul, jamais !!!!", não era , Mário??
Cala-te, pá! Tem vergonha e dignidade e entrega a cartinha ao primeiro.

Digo eu com os nervos! (e muitos, by the way)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Porreiro, pá!

Mas o que é lá isso de se propôr que o limite da velocidade dentro das localidades reduza para 30 km/h??? (diz que é uma imposição da UE, essa mula miserável)
Mas esta gente bebe??? (sim, bebe, por isso é que têm de andar mais devagarinho...)
Logo agora que encomendei o Ferrari??? (cala-te, mulher, toma mazé a medicação a horas e deixa-te de delírios e de alucinações)
Então mas afinal a que velocidade corre a Dona Vanessa Fernandes??? (há-de ser a mais de 30 km/h e, vai na volta, ainda multam a moça quando ela andar a treinar)
Mas quem é que anda a 30 km/h??? (os caracois? as lesmas? a inteligência do outro?)

É que um dia destes, um gajo enerva-se, dá em acelerar com os nervos, mata um ou até dois seres, e depois aqui-del-rei que esta gente é uma inconsciente por andar a 40 km/h dentro das localidades... Os doidos!!!

Andar (assim TÃO) devagar stressa um santo, stressa até o Sócrates que, aparentemente, nem stressa com nada, e pode provocar ainda mais acidentes! Plamor de deus!!!
UE, amor, se me estás a ouvir, chega de cuspir disparates, sim? Orienta-te e concentra-te no que é realmente importante... Economia, política de emigração, direitos humanos, privilégios sociais.... deixa-te de merdas, pá!! Que é para isto começar a ser porreiro... topas?

Digo eu com os nervos...