Há dias falava-se de depilação definitiva. Falava-se assim, como que, en passant, de que essa coisa de ter pêlos onde Nosso Senhor nunca passou (esperemos...) era incómoda e pouco higiénica. Convenhamos que isto de ter dia marcado "numa senhora" para arrancar de forma dolorosa e efémera, pêlos que depois, só para chatear um gajo, voltam a crescer, pululantemente, como que a dizer, ai tu és isso? tu não me querias cá, arrancaste-me de má que és, à traição, então toma lá, aqui estou eu mais forte e preto que nunca e pumbas, agora, quero ver...
Qual a mulher que nunca sentiu frustração por não poder ir à praia por causa deste detalhe? Qual a mulher que nunca deu por si, de pinça em riste, a procurar aqueles mais teimosos que as mulas cegas, na praia, ao espelho da casa de banho, no sofá a ouvir o profesor Marcelo? Isto no fundo são marcas, são estigmas para a vida toda.
O pêlo é amigo, eu sei. O meu ginecologista costuma dizer que a natureza não faz nada errado e que se eles ali estão servem para coisas muito importantes, como proteger a flora e a fauna da zona e mais não sei quê.
Pêlo, amigo, obrigadinha, hã?? És um gajo muito fixe, ficas aí à porta, de guarda, tipo mastim espanhol, tás à coca, não vá um estafilococo mais atrevidote dar um ar da sua graça, mas, eh pá, tinhas que trazer os teus primos todos????
E depois há as amigas que sugerem as modernices do costume. Tira com laser, dizem elas, arranca esses vermes todos, dá-lhes cabo da raiz, incenera-os com classe, faz de ti uma moça despelada... E um gajo acredita, pois claro, que as amigas, normalmente, tirando aquelas mesmo muito cabras, não são de mentir. E depois há um dia, em que a malta ganha coragem, vai apanhar choques eléctricos pelo corpinho todo, põe a patareca em risco de electrocução, mas tudo compensa o aspecto limpinho da zona, outrora fustigado por denso matagal.
Mas depois (e há sempre um depois nas histórias, não há volta a dar-lhe) a moça conhece um moço. Um moço que até, vai-se a ver, e aprecia a relva aparadinha, o jardim domado, a flora contida. E ela partilha com ele sua pueril condição de despelada.
E depois de tanto dinheiro gasto, tanto choque eléctrico na patareca, tanto sofrimento, o moço, devido à ausência dos pêlos amigos, escorrega pela moça abaixo, escorrega pela moça acima, aquilo não entra, escorrega, não sai, chiça, parece anel largo em mão ensaboada, porque a humidade do momento tem destas coisas.
E ela, pobrezinha, arrependida por ter condenado à morte seus cipestres protectores, confidencia a esta que agora vos escreve:
- Mais vale pêlo na glote que dois coisos a trote!
E é disto que se fazem os mitos.
Digo eu com os nervos...
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Ah, L'Amour....
Hoje é um dia vermelho. Não só porque joga esse grande clube que dá pelo nome de SLB mas porque as avenidas, as praças, as rotundas, as ruas, os becos e sei lá mais o quê, estão enfeitadinhos de lindos corações vermelhos, cheios de cupidos desnudadinhos a atirar setinhas a quem passa, cheias de ursinhos de peluche que seguram em suas patitas roliças coraçõezinhos a dizer I Love You, cheias de anjinhos papudos e apaixonados...
Péra lá....
PAROU TUDO!!
Mas eu agora dei para cheirar branca logo p'la manhã????? Ando fora da graça de Deus????
Alguém me ajude, p'las alminhas!!
(...)
(respira, respira...)
(...)
Prontes. Já tomei a medicação, já bati com a cabeça na parede umas duas ou três vezes, já vazei o olho esquerdo, já fiz uma fractura exposta onde, inclusive, se pode ver um tendão à mostra (bem giro, por sinal), enfim, estou a tentar redimir-me...
Antes de mais nada, e mais importante que tudo o resto, o Benfica (arghhh) NUNCA será um grande clube. É um clubezito, uma associação recreativa de bairro, E se alguém me diz que eu disse o contrário, chamo já aqui um major ou dois que a malta também tem amigos, ok??
Depois, embora não tão importante que o primeiro ponto, é perceber que esta coisa do dia dos namorados é ridículo. Tão ridículo como esperar, de pé, por uma mesa, até perto da meia noite para jantar. Ridículo como não encontrar um restaurante acolhedor com vagas desde há três semanas a esta parte. Ridículo, como andar aí de peluches e ramos de rosas vermelhas no braço, como se fosse um uniforme. Ridículo, portanto.
Lá porque o Sr. Imperialismo decidiu que, um dia por ano, tinha que despachar os ursos e as focas e os anjos de peluche made in taiwan que os meninos com idade inferior a oito anos fizeram mais rápido que o previsto, lá porque tem que se escoar a produção excessiva dos chocolates da Nestlé, dos Mon Chéri, e da Guillian's, isso não é razão para aderirmos em massa (que em arroz, empapava mais...) à causa deste pseudo-dia-do-temos-que-celebrar-o-amor...
Meia dúzia de iluminados (americanos, quase que aposto) decidiram que a cada dia 14 de Fevereiro os tansos e as tansas que namoram ou que estão casados (porque deus nos livre de um maridinho que não se lembrou da florinha no dia dos namorados para dar à sua esposinha) têm que arrotar uma pipa de cash pra comprar o CDzinho ou o DVDzinho ou até o livrinho com dicas picantes sobre como melhorar o amor. Há também aqueles que optam pelo clássico ramo de rosas vermelhas, porque diz que rosa vermelha é amor, e a malta até acredita e aqui vai disto!
A somar a isto tudo, vai de levar a moça (ou o moço, que isto já não é como dantes) a um restaurantezinho catita, com velinha a arder ao centro, toalhinha e guardanapo de pano, comme il faut, mão na mão, olhinhos que pestanejam "não, amor, não tenho nada no olho, és tão pouco romântico, não vês que isto é o amor?" e vai de acreditar que o amor dá conjuntivites, taquicardia (quando chega a conta, sobretudo, mas é claro que é só uma coincidência) e te(n)são alta (quando sobem os calores, mais tarde, dentro do carro, vidros embaciadinhos de todo que chega a não se ver sequer as luzes azuis dos carros da autoridade a fazer a ronda).
Ai, Valentim, Valentim... As coisas que os mortais fazem para te celebrar... E tu que só querias uma esmolinha na caixa da Igreja e que fosse dia de amar todos os dias, não era?
Cá a rapariga vai comemorar o dia 14 de Fevereiro, como todos os outros anos... A celebrar o dia de aniversário da minha irmã que, essa sim, é um dos grandes amores da minha vida!
Parabéns, Mana Linda! AMO-TE!!!!!
Digo eu, com os nervos....
Péra lá....
PAROU TUDO!!
Mas eu agora dei para cheirar branca logo p'la manhã????? Ando fora da graça de Deus????
Alguém me ajude, p'las alminhas!!
(...)
(respira, respira...)
(...)
Prontes. Já tomei a medicação, já bati com a cabeça na parede umas duas ou três vezes, já vazei o olho esquerdo, já fiz uma fractura exposta onde, inclusive, se pode ver um tendão à mostra (bem giro, por sinal), enfim, estou a tentar redimir-me...
Antes de mais nada, e mais importante que tudo o resto, o Benfica (arghhh) NUNCA será um grande clube. É um clubezito, uma associação recreativa de bairro, E se alguém me diz que eu disse o contrário, chamo já aqui um major ou dois que a malta também tem amigos, ok??
Depois, embora não tão importante que o primeiro ponto, é perceber que esta coisa do dia dos namorados é ridículo. Tão ridículo como esperar, de pé, por uma mesa, até perto da meia noite para jantar. Ridículo como não encontrar um restaurante acolhedor com vagas desde há três semanas a esta parte. Ridículo, como andar aí de peluches e ramos de rosas vermelhas no braço, como se fosse um uniforme. Ridículo, portanto.
Lá porque o Sr. Imperialismo decidiu que, um dia por ano, tinha que despachar os ursos e as focas e os anjos de peluche made in taiwan que os meninos com idade inferior a oito anos fizeram mais rápido que o previsto, lá porque tem que se escoar a produção excessiva dos chocolates da Nestlé, dos Mon Chéri, e da Guillian's, isso não é razão para aderirmos em massa (que em arroz, empapava mais...) à causa deste pseudo-dia-do-temos-que-celebrar-o-amor...
Meia dúzia de iluminados (americanos, quase que aposto) decidiram que a cada dia 14 de Fevereiro os tansos e as tansas que namoram ou que estão casados (porque deus nos livre de um maridinho que não se lembrou da florinha no dia dos namorados para dar à sua esposinha) têm que arrotar uma pipa de cash pra comprar o CDzinho ou o DVDzinho ou até o livrinho com dicas picantes sobre como melhorar o amor. Há também aqueles que optam pelo clássico ramo de rosas vermelhas, porque diz que rosa vermelha é amor, e a malta até acredita e aqui vai disto!
A somar a isto tudo, vai de levar a moça (ou o moço, que isto já não é como dantes) a um restaurantezinho catita, com velinha a arder ao centro, toalhinha e guardanapo de pano, comme il faut, mão na mão, olhinhos que pestanejam "não, amor, não tenho nada no olho, és tão pouco romântico, não vês que isto é o amor?" e vai de acreditar que o amor dá conjuntivites, taquicardia (quando chega a conta, sobretudo, mas é claro que é só uma coincidência) e te(n)são alta (quando sobem os calores, mais tarde, dentro do carro, vidros embaciadinhos de todo que chega a não se ver sequer as luzes azuis dos carros da autoridade a fazer a ronda).
Ai, Valentim, Valentim... As coisas que os mortais fazem para te celebrar... E tu que só querias uma esmolinha na caixa da Igreja e que fosse dia de amar todos os dias, não era?
Cá a rapariga vai comemorar o dia 14 de Fevereiro, como todos os outros anos... A celebrar o dia de aniversário da minha irmã que, essa sim, é um dos grandes amores da minha vida!
Parabéns, Mana Linda! AMO-TE!!!!!
Digo eu, com os nervos....
Diz que disse
Joanissima is in the house,
Nervos à flor da pele
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Verdade, verdadinha
No lo creo en las brujas, pero que l'ASAE, l'ASAE....
Diz que disse
Há-de haver comprimidos p'ra isto
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