terça-feira, 28 de outubro de 2008

Cinderella Girl

Na tentativa (mais ou menos vã) de me fazer rir, pergunta-me ele se eu sei a diferença entre um sapo e um príncipe.
Assim de repente ocorriam-me dezenas mas não me quis expôr.
E ele atira-me, do alto do seu metro e oitenta, esta verdade extraordinária:
- são as dez cervejas que a princesa bebeu.


Ora eu, que não gosto de cerveja, ocorre-me aqui acrescentar que (aqui a princesa) precisaria de duas caixas de vinho tinto (do bom!!!) para me deixar iludir.

É que, míope como sou, ainda me ocorreria achar que o príncipe era um sapo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Dias Úteis















Foi assim que ele abriu o espectáculo. Com os Dias Úteis. E eu, que estava tão pertinho (pareço aquele outro moço que fotografa, com cartões de 2 GB, os concertos todos de fio a pavio...) que quase lhe senti o calor da pele, cantei, dancei, voltei a apaixonar-me. Voltei, sim, que há mais ou menos 20 anos que nutro por ele um amor imenso.
Que letrista brilhante. Que compositor extraordinário.
Que presença magnífica.
Até os imberbes pueris cantaram. Pouquito, que não dava para mais.
De cada vez que o ouço é, de facto, O Primeiro Dia do resto da minha vida.
Tão, tão lindo....

domingo, 26 de outubro de 2008

Pérolas

Estava eu, há coisa de segundos, a ver a final de ténis de S. Petersburg, entre o maravilhoso e giro Murray (ainda mais maravilhoso e giro depois de ter derrotado o Nadal na meia final do US Open) e o cazaquistanês Golubev (cujo presente parêntesis será mais fraquinho uma vez que eu não faço ideia de quem seja o moço...) quando o comentador, sabe Deus qual a sua Graça, cospe a seguinte pérola: "O maior ponto forte do Murray é não ter pontos fracos".
Ora eu, moça veemente apreciadora das figuras de estilo da riquíssima língua portuguesa, fiquei deveras maravilhada.
Quando, há uns anos a Lili Caneças disse, de forma solene, que estar vivo era o contrário de estar morto, não imaginou que tivesse aberto tal precedente na liberdade gramatical do povo português. É que a principal vantagem deste estilo (para além do facto de não ter desvantagens) é proporcionar uma tal leveza de discurso, que chega a ser poético.
Eu cá acho que os moços que fazem comentários desportivos, deveriam ter um cursozinho, mais que não seja do CEAC, de como não calinar. Porque o acto de calinar, quando é assim, gratuito, a apanhar o espectador desprevenido, à má fila, faz cócegas, arranha, agride.

E, lá está, quem come cerejas, não caga ameixas. O caroço está lá, os mais distraídos diriam que têm a mesma vermelhidão, mas o tamanho, esse, não engana.

Mas sobre tamanhos, falaremos noutro eventual post.
Digo eu, com os nervos.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

E aprende-se a dizer "saudade"

Hoje começa a Latada aqui no burgo.
É uma alegria muito grande ver, o que se diz ser o futuro deste país, com capas pretas, a tresandar a naftalina, invadindo as ruas da cidade.
Ontem, quando deambulava pelas muitas artérias trajadas de negro, foi bonito, comovente até, ver o povo a sair dos jantares de curso, com mais alcool no corpo do que um medronho destinado a esse fim, a vomitarem a febra e a batata frita que ainda eram, praticamente, um simples bolo alimentar, a trocarem fluidos alegremente na bermazinha do passeio, sob a calçada fria, enfim, a fazerem jus ao que todos já sabemos: se isto é o futuro deste país, estamos bem fodidos!!

Pelas ruas, em noite de vendaval (e frio... irra!!!!) era ver os copos de plastico a esvoaçar alegremente, os crianços e as crianças a tirarem fotos típicas para colocar no aifáibe, umas de meias esburacadinhas de todo, outras até já sem meias (quentinhas que deviam ir as petizes) e outras, habituadas ao "téne" com os pézinhos fecundados pelo aperto do sapato e pelo salto alto que isto não é para todas, de facto.

Contudo, o que mais me impressionou, la créme de la créme foi ver um moço, que nem barba tinha, mas que, por estar já trajado de negro, deveria ser, creio, pastrano ou semi-puto, a passear em plena rua, um micro-ondas. Sim, estimados leitores, um micro-ondas, daqueles onde aquecemos o leitinho pela manhã, a sopinha da noite. Um micro-ondas. Branquinho imaculado como (quase todos) os micro-ondas são. O fio da electricidade servia de trela e lá andava ele, alegremente, a passear o seu bobi.

Abri o vidro do lado do pendura (que a sã criatividade há-de sempre deliciar-me e impedir-me de guardar para mim apenas, o registo daquele delírio) e mandei-lhe um piropo: "És grande, pá!!!!!" E ele devolveu o piropo, tolhido pelo alccol que o consumia por dentro como um diabo, mandámos beijinhos como os miúdos, fechei o vidro e pensei para mim:
- se esta é a geração do futuro estamos bem fodidos, é certo. Mas, por Deus, estamos fodidos com uma pinta do caraças!!!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Coming next: 2009

Ai o que eu gosto de orçamentos de Estado populistas e insultuosos da inteligência das pessoas com - vá - um dedito (meio dedito?) de testa (2.9% de aumento para os funcionário públicos?? Ai que doidos!!!)
Ai o que eu gosto de medidas que visam, especificamente, atirar areia para os olhos das pessoas, mas que, vai-se a ver e não é bem areia, é mais um pozinho de perlimpimpim (despenalização do crime fiscal tributário para crimes de abuso de confiança fiscal inferiores a € 7.500 por declaração?? Ai, que brutos!!!)
Ai o que eu gosto de promessas de amor como as que o Governo fez hoje... os contribuintes cumpridores vão receber o seu iérreéssezinho num tempo máximo de duas semanas... Doideira, hã???

Ai que saudades do meu Francisco Manuel...

domingo, 19 de outubro de 2008

Apologize

Chamaram-me à atenção para o facto de , muitas vezes nesta chafarica, fazer referência ao poema "Balada da Neve" como sendo de António Gedeão e não de Augusto Gil.
Ora eu, que tenho a mania que sei umas coisas e tal, venho retratar-me, espancar-me, bater muito muito com a cabeça na parede, em nome de um erro muito crasso e muito escandaloso.
Mil perdões, Augusto Gil.
Maybe next time, Gedeão.


Mas, acima de tudo, obrigada Teresa.
Gosto muito de aprender.

Shame on me!!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A traseira toda p'ra dentro!!! (c'a ganda título, hã???)

Eu ia descansada na minha vidinha. Juro que ia. Estava a ouvir os White Stripes na única música que gosto das criaturas (sorry, Luc...). Estava, tranquilamente (dentro do género), a ouvir o grande baterista que os moços têm. Paradinha no meu lugar, pisquinha feito à esquerda, tudo como manda a lei. E, mesmo no refrão, quando o jovem grita "so go back home!!" senti o embate.

(segue-se um pequeno momento muito-pseudo-poético)

E ele bateu leve, levemente, como quem chama por mim. Seria chuva? Seria gente? Gente era certamente porque a chuva não bate assim (nem que fosse granizo do tamanho de bolas de basket). Fui ver.

(fim do momento muito-pseudo-poético)

O moço sai do carro, mãos no ar, a dizer "eu sou culpado, eu sou culpado!!" e eu, ainda a tentar descolar as mamas do volante, exclamei "wow, calma... você está bem? magoou-se?" e ele, coitado, em visível pânico dizia que não, que assinava tudo, que tinha um almoço combinado e que era melhor despacharmos as participações do seguro. Cruzinha para aqui, croqui para acolá, um sinupe e umas florinhas de lado para tornar o esquema mais realista (que havia, lá ao lado um ou outro arbusto e um cão rafeiro, que havia!!), assina daqui, aponta números de carta de condução, de carta verde, de carta azul às riquinhas brancas (sim, que o moço também era do FCP!!!) e aqui vai cada um à sua vidinha também, eu com uma porta sem abrir, a mala toda para dentro, e ele com o pára-choques a roçar o asfalto (imagem linda...).

O melhor de um embate desta categoria é o carro de substituição. Topo de gama da Audi, no correspondente à cilindrada do meu. Embrulha!!

Portanto, moços e moças de Portugal, querendo bater-me no carro, é à vontadinha...
Eu sei quem vai amar andar de Audizinho duas longas semaninhas....

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Apelo


(thanks, my beloved Caié!!)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Born at 13th October 1941

Hoje ele faz anos. Ele, que tantas e tantas noites, durante tantos e tantos dias, encheu o meu coração de acordes serenos, semínimas histéricas, colcheias atentas, semifusas perfeitas, ritmos ecuménicos, baixistas perfeitos, bateristas de outros mundos, letras que morro de inveja de não ter sido eu a escrever...

Hoje ele faz anos. Ele que me fez chorar tanto ao som de tantas coisas bonitas, que me fez rir com alguns pedacinhos de letras, que me emocionou tanto (tanto) com as coisas que me mostrou.

Hoje, para celebrar este extraordinário dia de festa, elegi uma das músicas que há-de sempre comover-me, que há-de sempre, nos mesmos minutos, fazer-me rir e chorar.

(tantas memórias, tantas, tantas emoções...)

Thank you, deeply, Paul, for taking me to Graceland every single time I hear your voice.






(por alguma razão que me transcende para o Blogger hoje ainda é Domingo, dia 12, apesar de já serem duas da manhã de dia 13... Avé, Avé...)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Não gosto de americanos (latus sensu)

O meu maravilhoso, extraordinário, encantador e brilhante cunhado, também conhecido por "médico de bordo" ou, na intimidade, por João, brindou-me esta tarde com a seguinte sms:
- Tomorrow, tgif.

Respondo-lhe eu:
- A brucelose degenerou-se-te para a encefalopatia espongiforme bovina, amor???

E ele, que tem connectings no abroad e tal, diz-me que é assim que os americanos falam. Siglas. Iniciais para grandes (??) frases, que dá muito trabalho dizer tantas palavras.

Ya.

(que é como quem diz: já vos fodíeis com essa preguiça toda que tendes agarradinha a essa falta de massa encefálica e que vos vai fazer voltar a eleger um republicano, certo??)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Batem leve, levemente...

Muito pior que mendigos armados em pobrezinhos são pobrezinhos armados em parvos com a mania que são mendigos.
Todos os dias sou abordada por cerca de sete ou oito crianças, qualquer uma delas com cerca de dez, doze anos, todos rapazes, a tentar impingir-me o Almanaque "Borda D'Água".
Até seria simpático se estivesse apostada em enveredar por uma carreira de agricultora, ainda que em part time, que isto de lutar contra o bem, a dada altura, também é cansativo.
Mas mói-me a paciência e a alma, todos os santos dias, ter que dizer que não aos miudos que, à medida que os meus "nãos" se repetem, vão soltando os vapores da sua extraordinária falta de educação e subindo o teor da grosseria e da imbecilidade.
Eu sei que eles são apenas fruto de toda uma situação carenciada socio-culturalmente falando e coiso e tal. Poupai-me a esse paleio de assistente social a trabalhar na área da emergência. Tambem já não tenho idade para alimentar falsos pudores só porque, nos dias de hoje, soa mal e incorrecto criticar os indigentes. Pois, meus amigos, eu cá não tenho nada contra a mendicidade. Quando era nova e tinha sonhos, eu própria lutei contra ela, no terreno, a dar a cara para salvar o mundo. Well, life's a bitch and than you die, e há quem, manifestamente, não queira ser salvo.
Mas perguntava-se um dia o Gedeão pelas crianças... As crianças Senhor, porque lhes dais tanta dor, porque padecem assim, perguntava o moço. Olha, António, eu não sei como era no teu tempo em que espreitavas pela vidraça e vias tudo da cor do linho. Mas, deixa-me que te diga que, hoje em dia, quando espreito pela vidraça, vejo polyester, e as crianças já não são o que eram.
Hoje continuam a padecer muito muito, não duvido, mas são mal educadas, grosseiras, atrevidas, ordinárias e seria uma caridade enfiar-lhes dois pares de galhetas no nariz, daqueles bem dados. Tu queres acreditar, António, que ontem, um deles, um catraio miserável de doze anos no máximo, depois de, com ar quase ternamente sofrido, me pedir dinheiro e, à minha recusa, coloca as mãos no meio das pernas e exclama "chupa aqui puta portuguesa"? Tu queres crer?!?
O que é que eu fiz, perguntas tu? O evidente! Dei-lhe um valente puxão de orelhas e um estalo na cara. Disse-lhe que a mãezinha dele ainda não tinha passado ali, que ainda devia ser cedo para ela. E avisei-o: "se voltas algum dia a olhar para mim, nem que seja de lado, comes tamanho tabefe no focinho que nunca mais te vais esquecer de mim, tu estás-me a ouvir bem???"
Ele soltou a orelha da minha mão e em romeno, moldavo ou ucraniano, murmurou qualquer coisa. Gostava de acreditar que tenha sido qualquer coisa tipo "olha que senhora tão boazinha e tão preocupada com o meu futuro enquanto cidadão estrangeiro, tão querida e meiguinha a pôr-me no meu lugar porque na verdade fui um bocadinho mal educado com esta tão simpática senhora, oh que grande lição de vida que aprendi hoje!"
Mas não. Acho mesmo que me chamou puta.