quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Desafiada

A "sincera, teimosa, amiga, orgulhosa, sonhadora, chata, confusa, etc, etc, etc ", mais conhecida por Sílvia, lançou-me um desafio todo catita lá no tasquinho dela.

A ideia é escrever uma lista com oito características pessoais (não íntimas, necessariamente, o que é uma pena, que eu acho que, às vezes, é preciso romper com os padrõezinhos).
Depois tinha mais regras. Mas eu já me farto de regras na minha profissão por isso aqui, what the hell, não há cá mais regras para ninguém.

Oito coisas aqui sobre a rapariga? Pff... Logo eu que dou um pontapé numa pedra e aparecem logo duas ou três coisas a caracterizar-me.

1 - A coisa que mais me caracteriza é a minha alegria. Há quem diga que uma mesa onde eu esteja é uma mesa de festa, e há também quem me conheça pelo meu rir. Sou, de facto, muito alegre.

2 - Acredito piamente que nada acontece por acaso e que há sempre uma lógica qualquer para tudo o que acontece. Passo grande parte da minha vida a tentar perceber o que é suposto eu aprender com determinada situação, para crescer mais e melhor como Pessoa.

3 - Já vi o melhor e o pior das pessoas. Já conheci monstros perfeitos e senti-lhes, literalmente, o respirar no meu pescoço, e já conheci pessoas maravilhosas, perfeitas, que me fizeram reacreditar no mundo e na vida outra vez.

4 - Sou viciada em cristais e em pedras (semi) preciosas. Tenho centenas na minha casa. Todas têm uma história, foram-me oferecidas (ou compradas) numa ou noutra situação específica e sei-as todas de cor. Quando me sinto mais perdida gosto de brincar com uma ou outra, na mão. Isso serena-me e faz-me pensar melhor.

5 - Detesto chá. Só bebo chá quando estou doentinha e por obrigação. Mas confesso que passei uma fase em que me esforcei muito por gostar. Não me está no sangue, não vale a pena insistir. Bem sei que é muito fashion e coiso, mas eu sou mesmo uma moça rude do campo. Eu é mais vinho tinto, e há-de ser do bom.

6 - Não sei viver sem música. Em casa, em todas as divisões, no carro, no gabinete, na rua, nos phones, em todo o lado, sempre, sempre. É como respirar. Já dei concertos e não há sensação mais confusa do que estar em palco, de microfone na mão, ou de piano nos dedos. É assustador e fascinante. É pleno.

7 - O meu escritor preferido é Milan Kundera, o meu compositor preferido é Bach, a voz de que mais gosto é a da Callas. Li um livro do Kundera cinco vezes, já chorei e já ri a ouvir Bach e a Callas provoca em mim literais arrepios físicos. Se o Céu cantasse, haveria de ser mais ou menos assim.

8 - Adoro risos. Ouvir alguém rir é das coisas mais deliciosas do mundo. Às vezes acho que as pessoas se podiam definir pela forma como se riem. Se é um riso muito histérico, ou se se riem de boca escancarada, se têm vergonha de dar gargalhadas ou se põem a mão à frente da boca quando dão um riso mais aberto. No final tudo, a verdade suprema é que não há riso mais perfeito do que o da minha filha. E ela ensina-me isso todos os dias.

E prontes. Era isto.
Foi uma coisa assim mais pró séria mas, às vezes, também me apetece.
Um dia destes conto oito coisas estúpidas sobre mim.

Há mais corajosos?
Alguém?

É dar-lhe agora!!

CINCO estrelas, pá!!!

Eu podia dizer aqui quatro ou CINCO coisas, que podia.
Mas toda a gente sabe que é feio bater em (CINCO ou mais) gajos caídos no chão, a cuspir sangue e (CINCO ou seis) dentes.
Mas nem é por isso que me vou abster de fazer comentários.
É que o Brad é do Sporting. A Mana também. O Médico de Bordo também. A Sobrinha também. O Mano também. A Caié também. A Laura também. O Papá também. A Mamã também. O ex chefe também.
(viram? CINCO vezes duas pessoas à minha volta são do Sporting... farturinha...)

E, ou fecho a matraca, ou quem fica a cuspir sangue e dentes sou eu.

De qualquer forma, queria só dizer que este post demorou CINCO minutos a escrever.
Um recorde, portanto...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Nostalgias

Há uns dias, no canal Sci Fi , revi um episódio da Xena, a Princesa Guerreira.
Lembro-me de ser miúda e, para além de a achar linda de morrer, me deliciar com a força dela, e com aqueles movimentos guerreiros todos, que tantas brincadeiras me inspiravam.


Porém, do que eu tenho mesmo saudades e nunca mais voltei a ver (nem tampouco reeditado em DVD o que é lamentável) era a séria A Bela E O Monstro.

Domingo, às 19h (e depois - ou antes? - de o Justiceiro e do MacGyver - outras séries míticas e fantásticas) era ver-me em frente à televisão, ansiosa pelas histórias do Vincent e da coisinha. Aquele senhor, que ficava muito mais bonito como monstro do que normal (não me apeteceu ir ver o nome do actor, mas lembro-me de o ter visto sem caracterização uma vez e ter sido uma perfeita decepção para mim) tinha (pelo menos na série) uma voz do outro mundo. Sussurrante, serena, perfeita.

A vida (também) é feita destas memórias boas.

E eu tenho saudades de uma história de amor me prender (assim) ao écran.

Summertime?

Um peixinho grelhado na brasa, uma salada verde (cheiinha de coentros como eu gosto) e um solinho maravilhoso.
Há que reconhecer que o dia, hoje, me tomou de assalto.

Só estava a faltar uma coisa, mas o Brad tratou disso.




Cá em casa abriu, hoje, oficialmente, a época das caipirinhas.
Saudades de Verão.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O poeta que há em nós

- Olha...!! a Visão desta semana traz um livro do Nuno Júdice.
- Boa!
- E este é um dos poemas mais bonitos de sempre: Pedro Lembrando Inês
- Pedro Lambendo Inês?!?

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Vidas

Não, a sério.

Há frases que, ditas assim em destaque, tipo título de notícia, chocam um santo.
Mas, o pior, é quando começamos a debruçar-nos no corpo da notícia, lendo os detalhes do que acreditámos ser um momento menos feliz na vida e na inspiração de um jornalista, e damos de caras com a inevitável mediocridade.

Ele há vidas pequeninas.
Mas há notícias que destacam de tal forma essa pequenez, que as tornam vidas imensas.
E isso é que é lamentável.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Não há homens ricos feios?

Há uns dias, numa mesa de café, discutia-se os factores exógenos a um criaturo que o tornassem interessante sob o ponto de vista feminino. Afinal, que atributos tem um homem de ter, que não sejam meras qualidades e defeitos e rabinho não-sei-quê e dentinho branco e sorrisinho de cabrão-filha-da-puta, para seduzir uma moça dos dias de hoje?
Algumas pessoas da mesa defendiam que o dinheiro era fundamental para a arte de bem seduzir. Que não havia homens ricos feios. Que um homem rico era sempre bonito porque tinha um carro daqueles vermelhinhos que andam sem pisar o alcatrão, ou um dos outros mais clássicos que têm muitos dígitos na etiqueta do preço.
Alguém discordou. Defendia que os miolos, a cultura, eram bens bem mais preciosos do que aquilo. Pois, pois, disseram-me eles. Um poeta a roçar a rua da miséria vai levar-te a passar um fim-de-semana debaixo da ponte para veres melhor as estrelas. Não preferias um, um bocadinho mais estúpido, que te levasse a Buenos Aires onde também há estrelas a céu aberto?
Outras pessoas defendiam ainda que, sedutor, era a profissão. Que um homem com status profissional era, efectivamente, mais atraente do que um simples pedreiro, ou um mero ajudante de limpeza. Alguém discordou também, dizendo que o poder da profissão, sem estar aliado à sensibilidade, era perfeitamente inútil e desinteressante. Pois, pois, disseram, falarias do quê com um pedreiro sensível? Onde teria ele ido, em viagens, sem ser (muuuito eventualmente) em livros, que te pudesse encantar?

Desta conversa toda, tenho a dizer que, de facto, no meio está o segredo. Nem demasiado rico que me canse, nem demasiado poeta que me assuste, nem demasiado poderoso que me ofusque, nem muito desgraçadinho que me faça sentir mal com o que eu tenho.

Intermeio.

Alguém que viva com alguma qualidade mas que me faça ver as estrelas. Alguém que experimente alegria no que faz.
Alguém que me ensine alguma coisa pelo simples facto de existir, seja lá de que forma for.

Há homens ricos muito feios. Há homens com profissões de elite que são uns broncos. Por outro lado também há pobres muito feios e desgraçados que dão dó.
Assim como há homens ricos lindíssimos e homens de profissões sofisticadas que são uns príncipes. E haverá, certamente, pobres giros à bruta e desgraçados com muita classe.

Ou não, sei lá.
Que factores externos vos seduzem no outro?

Tinha mesmo que dizer isto

Hei-de sempre surpreender-me com a capacidade que as pessoas têm de generalizar as coisas. Hei-de sempre ficar incrédula perante a leviandade alheia em apontar dedos (supostamente) sábios sobre coisas que nunca viveram.
É tão mais fácil armarmo-nos em experientes e sensatos, não é?

Se fosse eu que mandasse era proibido mandar pedras para o telhado dos vizinhos mesmo que as nossas telhas não fossem de vidro. Até porque, assim, como assim, podem vir a ser.

A vida dá tantas (mas tantas...) voltas....

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

As voltas que a vida dá*

O Horatio Caine irrita...
... o que faz de David Caruso um actor extraordinário...
... não é de estranhar, pois, que Caruso seja, para mim, a música mais extraordinária (e bonita) de sempre.



* ou De Porque Preciso Urgentemente de Férias

Eu gosto é do Verão!!

O Povo é mesmo um bicho fascinante. Mal o astro-rei dá um arzinho da sua graça, mal o calorzinho espreita na salinha espelhada, é ver as criaturas com menor índice de massa encefálica que o normal, começarem a tirar a roupa, lentamente, casaco comprido atrás de sobretudo, camisola atrás de polar, camisa atrás de sweatshirt.
Esta tarde havia gente a passear na rua de top de alças. Sim, sim, de algodão. Sim, sim alças que não são pudins. Alças e não alsas, portanto. Alças! E, evidentemente, de sapatinho aberto a fazer pendant... Que maravilha...
Andarão nuas em Agosto? Estarão a tentar promover um antigripal novo e levaram a campanha demasiado a sério?
Por contraste, claro, também havia gente de casaco comprido, gola alta e guarda-chuva. Não fosse o São Pedro ter um sentido de humor do caraças, e desabar o dilúvio às quatro da tarde.

E ainda me (nos) hei-de (havemos de) rir quando chegar aquele tempo em que as roupas de Verão invadem as lojas e, apesar do frio cortante ou da neve que possa cair, é ver as moças de alcinhas, com medo que a roupa apanhe bolor no armário.

Ah, o povo...
Que seria deste blog sem ele?

Ando mesmo numa de cinema...

e, por isso, fui ver, a convite, a ante-estreia. O filme é em 3D o que implicou uma qualidade de imagem e um realismo que, confesso, não estava à espera.

O filme é extraordinário. A minha filha achou-o assustador.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Não é que eu seja do contra

... mas as opiniões são como não-sei-quê, que dizia a outra. E eu reconheço que sou uma moça rude do campo. Reconheço que não tenho futuro na crítica cinematográfica... Mas isto é como as telas do Louvre. Quero lá eu bem saber que sejam Picassos? Ou gosto, ou não gosto, certo? Ou é suposto gostar porque o senhor assinou em baixo??

Bem.

Vi este fim-de-semana o Slumdog Millionaire.
É bom, é giro. Gostei da fotografia, das interpretações, dos garotos (amei...) e até da história.

Mas melhor filme do ano?? Em paralelo com o The Curious case of Benjamim Button??
Cruzes!!

É comparar o olho do coiso com o mês de Agosto.
Digo eu, com os nervos!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Dia dos namorados

(amanhã não terei muito tempo para vir aqui, dizer-te estas coisas todas, meu amor. Vou estar ocupada a escolher o vestido mais bonito, o perfume, as flores, os presentes. Para que tudo seja como mereces.)

Amanhã é dia dos namorados. Tu sabes o que isso quer dizer. É o teu dia e, de certa forma, o nosso dia. Desde que te conheço que este sempre foi um dia muito especial. Sempre te enchi de mimos e miminhos, e festas e festinhas porque é realmente um dia importante. Demasiado importante.

Nos anos em que estivemos longe este era um dia especialmente doloroso, por ver toda a gente comemorar uma data e ver, também, que tu não estavas perto para que te enchesse de amor. Enviava-te cartas ternas, cheias da emoção que me transbordava, claro, mas não era a mesma coisa. Lembro-me das cartas que te escrevia para Bruxelas, na tentativa (frustrada, eu sei) que te pudesses sentir mais perto mas, saber-te triste por estares longe, enchia-me de angústia e retirava toda a magia a este dia.
Talvez tenha ficado zangada quando me deixaste. Fiquei, sim. Sentia a tua falta aqui, como uma lâmina que me namorava as veias, e demorei muito tempo a perdoar-te essa ausência. Fizeste-me falta. Fazes-me sempre falta.

Já te disse muitas vezes que te amo. Já te disse muitas vezes que és, para mim, um exemplo de força, de lucidez, de coragem. Foi para o teu colo que fugi quando a vida me esbofeteou e isso, inegavelmente, fez-nos maiores, no amor que nos temos.

Nem sempre entendi ou entenderei as tuas escolhas mas amo-te demasiado para as questionar. Tenho muito (mesmo muito) orgulho em ti, na pessoa extraordinária que és, e repito-te uma e outra vez que, um dia, quando for grande, hei-de ser um bocadinho (mais) assim. Mais paciente. Mais lúcida. Mais ponderada. Mais como tu.

Saberás tu do conforto que me és? Poderás tu avaliar do aconchego que me dás à alma por saber que me ouves? Terás noção da importância de saber que me amas incondicionalmente?

Correrão muitos mais dias dos namorados. Tantos que será impensável sabê-los ou contá-los. Mas, em todos esses dias, e noutros que os dias nos proporcionarão, tentarei dar-te o meu melhor. Porque és, de facto, em grande medida, a minha namorada. Pelo exemplo de vida que és para mim. Pela força que és em mim.

Amanhã é o teu dia, mana. E não consigo pensar em nada mais apropriado do que ser o dia em que se comemora o amor.
O amor que és para mim.

Parabéns, mana linda!

Amo-te com todo o meu coração.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Chiclete

Às vezes, as coisas que são, para nós, mais evidentes, oferecem muitas dúvidas ao povo e às pessoas no geral.
Uma coisa é ir a um restaurante, pedir uma alheirazinha com batata frita, um escalopezinho com arroz, uma picanha com feijão preto. Nestes casos, e de uma maneira geral, as pessoas tendem a manter a boca fechadita enquanto mastigam. Talvez por terem ouvido dizer que não se come de boca aberta que, diz que, é feio e deselegante.
Longe vão ficando os dias, creio, em que o povo fazia questão de partilhar com o seu semelhante, o que deglutia. Como se o semelhante tivesse dificuldade em acreditar que ele, o povo, tivesse dinheiro ou dentes para mastigar uma coisa tão fina como um bitoque mal passado. Nessa altura, e acometido por uma vaidade insana, o povo desatava a mastigar de boca aberta, qual hipopótamo em franco bocejo, de forma a permitir ao semelhante a comprovação fáctica de que, efectivamente, era bitoque o que lhe roçava os molares.
Todavia, há coisas que tendem a sublinhar os hábitos de sempre do povo. Uma coisa será, para essa gente, pois uma alheira, talvez um escalope, quiça uma picanha ou outra, mas, coisa verdadeiramente distinta, é uma pastilha elástica.
Talvez o povo ache que, o facto de não se comer, no sentido em que não se engole, faça da pastilha elástica um alimento sui generis.
Ora, cumpre aqui esclarecer, a bem da Nação, que, no caso em apreço, comer e mastigar vai dar ao mesmo.
É que, das duas uma... Ou se inventa uma pastilha elástica com sabor a alheira a escalope ou a picanha argentina, ou se proibe o povo, com pesadas sanções pecuniárias, de mastigar de boca aberta.

Para ti

Hoje aprendi (mas aprendi mesmo) que só há duas formas de se lidar com a desgraça que, eventualmente, se abate sobre as nossas vidas. Ou lamentamos a nossa (má) sorte e choramos a nossa existência num misto de comiseração e angústia, ou nos rimos como se fôssemos ocas por dentro, suportando dignamente os olhares de censura de quem está (literalmente) à nossa volta.

Quando o mundo dos outros desaba debaixo dos nossos pés, a única forma que temos de não desabar também, é tomar os outros no colo, e rir muito do chão que teima em fugir.

Não há dor tua que eu não saiba suportar.
Não há detalhe que me demova para longe de ti.
Enquanto eu estiver à tua beira não há desgraça que se atreva a aproximar de ti que eu não vou deixar.

Estou aqui, sempre.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Feels like the movies


Há muito tempo que não chorava tanto num filme.
Não foi só a história ou as interpretações magníficas ou a caracterização perfeita. Foi o todo. Há algo de mítico no cinema que não se consegue sentir em casa, no conforto do nosso sofá. Quando nos conseguimos abstrair dos outros, dos imberbes irritantes com as suas pipocas estaladiças (e eu ainda sou do feliz tempo em que era proibido comer ou beber dentro das salas de cinema), quando conseguimos entrar no écran e sentir aquilo tudo com a força da nossa pele, quando conseguimos fechar os olhos e deixarmo-nos envolver pela magia da banda sonora, nessa altura a magia invade-nos. Não há outra hipótese. Devora-nos e engole-nos.
Acho que os filmes nos emocionam em função das fases que atravessamos, nos tocam pelas associações de vida (nossa ou dos outros) que fazemos aos vê-los. Talvez por isso haja filmes que não nos afectam da primeira vez que os vimos mas, anos mais tarde, quando os revimos, ainda que por acaso, tocam-nos imensamente.
Há filmes, no entanto, que por serem mágicos para nós, hão-de sempre comover-nos na alma (onde é mais difícil deixar chegar a emoção). Filmes que, até, por nos serem demasiado intensos, evitamos rever muitas vezes com medo de gastarmos as emoções, ou as lágrimas ou a beleza da película.
Isso aconteceu-me com o Cinema Paradiso, The Bucket List, Il Postino, The Green Mile, K-Pax, The Shawshank Redemption, The Dead Poets Society, The Purple Rose Of Cairo, The Hours, Nell, Eyes Wide Shut e tantos, tantos outros. Filmes que, por uma razão ou por outra, em função da fase de vida que atravessava nessa altura (ainda que, alguns deles, com anos de intervalo), me emocionaram, me fizeram voar e, ter asas, é o melhor presente que o cinema nos pode dar.
Não sei se são grandes filmes ou se são, sequer, bons filmes. Quero lá saber.
Só sei que são filmes que me emocionaram perdidamente, que me fizeram chorar, pensar, sentir muitas coisas, falar durante muitas horas numa mesa qualquer.
E isto, para mim, é magia. Quando acaba o filme, quando nos levantamos da cadeira (ou do sofá), quando trazemos no coração o filme e o levamos aos outros, com o entusiasmo próprio de quem vê o mar pela primeira vez, faz-se magia.
Os verdadeiros óscares são aqueles que atribuímos, por dentro, com a força das nossas emoções.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O best of


destes senhores é genial.
E deixou alguém muito, muito feliz!!!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O preço da fama

É sempre agradável ver que estamos rodeados, ainda que sem sabermos, de gente que nos ama, nos aprecia, e não sabe viver sem nós.
Hoje de manhã, eu que durmo sempre com os telefones ligados, ainda que no mais profundo silêncio, reparei que, um ser qualquer (seria um fã?? tu queres ver??) me tinha ligado às 4h40 da manhã, de um número privado. A essa hora estou eu, normalmente, a sonhar com coisas bonitas. Sou aquele tipo de gente (rara e estranha) que dorme, efectivamente, durante a noite. Ele há coisas dos diabos, mas é verdade.
Porém, não deixou de me intrigar que, desde ontem que falei aqui em fazer a primeira parte do concerto dos Depeche Mode, qual Ana Moura e sus piedras rolantes, o telefone não me tenha parado de tocar. Ele era mensagens, telefonemas, insistências... eh pá, deslarguem-me!!!!!
Até estive para ligar, há pouco, ao Gahan para lhe dizer que compreendo que ele seja artista e estrangeiro, e que nos estrangeiro é tudo diferente, e que ele trabalhe até tarde, mas que eu estou disponível noutros horários. Tenho alma de fadista, que tenho, mas não ando para aí a cantar até que a voz me doa até ao despertar dos primeiros raios de sol... Já andei, é certo, noutros tempos de fidalguia mas agora sou uma mulher casada e mãe de filhos.
Portanto, Dave, se realmente queres que eu faça a primeira parte do teu concerto, no Bessa, em Julho, telefona-me durante o dia. E obrigadinha por me fazeres sentir uma pessoa mesmo muito importante e muito especial para que te lembres de mim a uma hora daquelas. Aposto que nem conseguias dormir com a ansiedade de me teres em palco, hã?? És um doido!!! Também gosto muito de ti, pá!!!!

Ser maravilhosa tem este preço: tiro o sono aos outros.
Ai, ai...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Carnaval

Quando eu era pequena o Carnaval tinha para mim a magia das máscaras no que dizia respeito a poder maquilhar-me e vestir coisas estupidamente exageradas que envolviam, quase sempre, brilhantes, lantejoulas e outros detalhes do género.
À medida que fui crescendo, e uma vez que me podia pintar mesmo que não fosse Carnaval, fui deixando de gostar de me mascarar. O ridículo nunca foi coisa que me tivesse atraído e a minha ideia de diversão não implica ser ou vestir-me de uma pessoa diferente daquela que sou e gosto de ser.
No entanto, no ano de 2001 (que, a somar ao ano de 2003, foi, sem dúvida, um dos anos mais bonitos de sempre, para mim) decidimos organizar um jantar de máscaras.
Hesitei bastante em aceitar ir, tanto mais que há anos que não me mascarava, mas aceitei até porque seríamos muitos e (quase) todos muito próximos.
Mascarei-me de Maria Severa. Não só porque adoro fado mas porque ela foi, para mim, sem dúvida, a personagem feminina mais importante do verdadeiro fado de Lisboa (a Amália que me perdoe) e porque acho a sua história de vida verdadeiramente apaixonante.
Na verdade, eu que nessa altura tinha, ao que diziam, um ar bastante aciganado, pautava as minhas indumentárias por saias compridas e brincos exuberantes. Não foi, pois, difícil para mim, arranjar adereços.
Fomos jantar a um resturante castiço, em plena baixinha de Coimbra, chamado o Cantinho dos Reis. Havia pagens, palhaços, zorros, velhinhas e mais uns quantos disfarces verdadeiramente encantadores. Numa mesa ao lado da nossa, um grupo de 4 ou 5 casais espanhois, na faixa etária dos 50/60 anos, deliciava-se com a nossa irreverência e a nossa palermice. Pediram-me para explicar o meu traje e a história da mulher que tentava retratar e pois que sim, que tinham ouvido falar nela, e que era uma senhora do fado, sim senhora. Já depois do café, convenceram-me a cantar um fado. Cantei um da Amália, o Rua do Capelão, por ser um dos que mais gosto. Os espanhois gostaram, aplaudiram e ofereceram-me o jantar (tu queres ver que errei a profissão e vai-se a ver e tenho uma Ana Moura dentro de mim?? Tu queres ver que ainda vou fazer a primeira parte do concerto dos Depeche Mode??).

Mas, a pérola das pérolas nessa noite (que, de tão magnífica, mais parecia uma ostra) foi, a caminho de um barzinho na Alta, termos vislumbrado um rapaz, encostado a uma parede, como se esperasse alguém, em plena Praça da Republica, antro máximo da boémia nesse dia. Vestia uma mini-mini-mini saia de lantejoulas vermelhas, um top minúsculo também de lantejoulas que lhe deixava escapar a vasta carpete que tinha no peito. Pintado de forma - vá - estúpida, tinha na mão uma póssete vermelha onde, decerto, guardava o baton para se retocar p'la noite dentro. Aproximei o carro da berma do passeio e abri o vidro do lado direito, debruçando-me sobre o meu compadre que estava instalado no banco do pendura, como que a querer falar ao moço. O jovem, devagarinho, já que os saltos altos (da irmã?? da Mãe??) não lhe permitiam grandes velocidades, aproximou-se do carro, desejoso de poder ajudar aquelas pessoas, quiça, em busca da preciosa informação de qual o melhor caminho para Fátima. Pergunto-lhe eu:
- quanto é que levas, man?
E o jovem, perdido de frio e de choque naquela gélida madrugada, deu um salto para trás, visivelmente ofendido e amuado e disse:
- Foda-se!!!! Eu sou o capuchinho vermelho!!!!!!!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

It's (was) oh so quiet...

Sou uma moça pacata do campo. Já o disse aqui várias vezes e, apesar de ninguém me levar a sério, a verdade é que sou. Moro numa vila pequenina e estou isolada na imensidão da minha urbanização de três prédios. À volta existem vivendas rurais, bichos e campos de couves e agriões. Uma paz.
No Verão é extraordinário acordar, por exemplo, ao Sábado, e tomar o pequeno-almoço na varanda. Não há transtorno de carros de cinco em cinco minutos e o ar é sadio, efectivamente. Ao fim do dia é encantador ouvir os grilos a exibirem-se por ali perto, numa serenata que me leva aos bons anos da minha infância (se bem que, nessa altura, eu gostava mesmo era de lhes tirar as patinhas e não, propriamente, de os ouvir). À noite, quando já toda a gente dorme, é fantástico ouvir o verdadeiro som do silêncio, aquele barulho que só as noites pacatas sabem fazer.

Às vezes, é certo, toda esta paz dá-me um bocadinho nos nervos, que dá!!! Ocasionalmente dou por mim a sentir uma certa nostalgiazinha das sirenes das ambulâncias, de uma buzinha a fundo acompanhada de uns impropérios castiços, ou de uma travagem daquelas de deixar metade do pneu a esfumaçar no chão. Outras vezes, também, bate-me uma certa saudadezinha dos tempos em que os pássaros não piavam e os grilos eram mudos que nem portas e havia barulho de cidade, a verdadeira confusão urbana, a selva de betão.
Mas, esses, eram tempos de sossego, comparados com as manhãs deste meu fim-de-semana. Sábado acordo em total pânico!!! Invadiram Portugal?? Os árabes descobriram petróleo no jardim do lado?? Decorre (finalmente) uma guerra civil?? Meu Deus!!! Abriguemo-nos!!! Mulheres e crianças, primeiro!!! DEIXEM PASSAR!!!!

Naaaa. Eram foguetes. Havia festarola na terra, em honra do senhor Santo Vicente padroeiro do já-te-calavas-mazé e, quem quer dormir, que se amole. Foguetes!!! Oito da manhã de um Sábado! Primeiro dia de descanso de uma semana de gritos! Foguetes!!! De início até achei piada. De início que, leia-se, durou oito segundos. Mas quando, dez minutos depois, aquele bombardeamente perdurava, comecei a dizer palavrões, a rogar pragas. Vinte minutos nesta pouca-vergonha!!! taran-tan-tan... pum!!!! pum!!! pum!!!!
Levantei-me e adiantei o jantar. Fiz o leite de creme, por sinal muito gabado, e um outro doce com café. Desfiei os patos para o arroz, lavei três máquinas de roupa e estendi-as antes que o sol fosse embora o que, de facto, aconteceu, duas ou três horas depois.
Fiquei irritada para o dia todo com aquela chinfrineira. Felizmente, à noite, recebi gente linda e maravilhosa e perfeita (perfeita!!!) que me fez esquecer o mau início de dia que tive.
Deitei-me cansada, mas feliz, a desejar que aquilo tivesse sido apenas um sonho mau.

Não foi. Domingo de manhã, p'la fresca, às oito da manhã em ponto, recomeçaram os foguetes.
Puta que pariu o santo e os mordomos da festa e o diabo que os carregue!!!!
No Iraque há gente a dormir com mais silêncio!!!!!