sexta-feira, 29 de maio de 2009

Dedos II

Ainda a propósito dos dedos dos pés - essa instituição que tantos moços desorienta - há outra coisa que me dá nos nervos (e aqui, as coisas dizem-se com nervos, convém não esquecer).
Reconheço que um pezinho tratado é um pezinho bonito, unhinha pintada a gosto e tuditudo.
Mas, valha-me Deus... Haverá necessidade de ter a unhaca comprida? As minhas unhas dos pés andam sempre rentinhas... Claro que a minha cabeleireira (e moça que trata destas coisas) diz que não é bom para o dedinho que, assim, fica mais exposto às agruras do quotidiano mas eu cá, quero lá saber...
Unhas dos pés compridas (ou mesmo compriditas) é coisa que me dá nervos e, pior... Mete-me um boacdinho de nojo, por melhor tratada que esteja.

Blhergh!!

Dedos

Agora que chegou o calor (chegou? mesmo? para ficar?) há uma coisa que me apraz dizer. Devia ser proibido andar de sandálias, chanatas ou qualquer outra coisa aberta à frente (falando de calçado, bem entendido) quando, no dia anterior, se andou de sapatos fechados, sem meias eventualmente, e os dedos dos pés tingiram todos.
É certo que não é sujo. Mas é muito feio.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Gipsy

Depois de alguns anos a trabalhar com a comunidade cigana e de ter aprendido muitas coisas maravilhosas sobre esta etnia, haverá sempre uma ou outra coisa que me passa ao lado em termos de compreensão.
Devo confessar que nutro por esta gente um carinho especial. Conheci várias famílias, desde aquelas que estão perfeitamente integradas, às que, infelizmente, subsistem nos seus submundinhos pseudo-tradicionais e que são o que vulgar e depreciativamente se chamam ciganos.

Eu conheci ciganos fantásticos. Lindos, com sentido de humor, inteligentes, machistas, esculturais. Até namorei com um. Conheci também os outros, os que, na minha opinião, desonram a comunidade, que traficam que nem gente grande, que enganam, que cheiram mal que não se respira, que não conhecem o conceito de casa-de-banho ou de água e sabão.

Continuo a achar que haverá muitas coisas que poderíamos aprender com eles. E eles connosco. Mas acho que as pessoas (de um lado e do outro) são demasiado preconceituosas para se entenderem a este nível. Eles poderiam ensinar-nos mais sobre como nunca-jamais se abandona uma criança, como se abanca nos relvados de um hospital (ainda que na prática isso seja pouco agradável) para mostrar ao familiar doente o apoio e o não arredar-pé. Poderiam ensinar-nos mais sobre a extraordinária capacidade que têm, em se protegerem mutuamente enquanto etnia, num misto de Mosqueteiros com homens tribais.
Nós, por outro lado, poderíamos ensinar-lhes a viver em sociedade, a respeitar os outros, a ser aberto às mudanças e às misturas.

Mas há coisas que lhes estão mesmo nos genes. As crianças ciganas hão-de sempre gritar muito e chorar mais que uma criança não-cigana. Está (praticamente) cientificamente provado.

Em conversa com a minha Laura, foi claro para mim a explicação desta verdade empírica:
A voz será, para eles, um instrumento de trabalho que tem que se aperfeiçoar desde tenra idade.
A venda das texartes depende dos decibeis da voz.
E isso requer, de facto, um treino intenso e constante.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Plano de ataque

Os Domingos à noite deviam ser proibidos. São deprimentes, angustiantes, amargurantes.
É a assunção de que acabaram aqueles dois míseros e magrinhos dias de descanso e, mal se acorde, sabemos que vai começar tudo outra vez.
Os Domingos à noite apenas são menos miseráveis pela presença dos Contemporâneos. mas, mesmo assim, é muito pouco tempo, não dá para relaxar (será que não se pode fazer episódios super-hiper-mega-grandes??)
Já tentei de tudo para apaziguar esta minha mini depressão pré laboral, mas nada resulta. Sou sempre atacada por um bichinho de vazio, uma tristezazinha que me consome em nervos e, irremediavelmente, deito-me ao Domingo um bocadinho amargurada.
Conheço um casal que, desde sempre, mantém este hábito extraordinário de ir ao cinema ao Domingo à noite, como forma de combater o vazio e a angústia que antecede uma semana inteira de trabalho. Contudo, no meu caso, isto é impraticável porque a miúda não cabe no microondas e fica apertadinha na arca congeladora.

Que planos de ataque (me) sugerem?
Como fazer do Domingo à noite um serão menos angustiante?

domingo, 24 de maio de 2009

Ponto de encontro pelo mar adentro

E ontem lá estivemos.
Eu, o Brad, a baixinha, o cão, os manos e a já-não-tão-baixinha.

Encontrar pessoas que conhecemos há muito tempo mas a quem nunca tínhamos sentido, é sempre uma emoção extraordinária.
Nada faltou. A doçura dela, a grandeza dele, o olhar atlântico dela, o humor dele, a inteligência dela, a cultura dele, a Galiza dela, o oceano dele.
Isto de se encontrar pessoas que são afecto e sentimento e ternura é de uma riqueza extraordinária.
Nada faltou. Os enchidos caseiros, os cogumelos recheados, os pezinhos de coentrada, o queijo da Serra, o pão-de-ló, a salada fina, o bolo de mousse de chocolate.
Ver de perto gente que já conhecíamos de longe e comprovar a total empatia que já se sentia há muito, há-de sempre fazer-me sentir que esta coisa da virtualidade é de uma ironia desmedida.

Nada faltou. Mesmo nada. Nem mesmo o convite para se repetir em breve um encontro mar adentro que se espera ser mesmo breve.
Eu, por mim, comprovei que o espaço e o tempo são meros detalhes na vida das gentes.

Estou rendida a esta gente que é de sempre e é, de certeza, para sempre.
Desde ontem que estou mais rica como pessoa.

Há lá coisa melhor?

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Ai-Je-sus!!

Ma soeur

Eu tenho a melhor irmã do mundo. Já o disse aqui muitas vezes e cada dia sinto mais a grande verdade que isto representa.
A minha irmã, às vezes, dá-me nervos mas ninguém pode dizer isto a não ser eu. A minha irmã, às vezes, é exagerada mas só eu é que o posso afirmar. A minha irmã, às vezes, exaspera-me mas ai de quem eu souber que se sente também exasperado.
Eu tenho o exclusivo da minha irmã no que diz respeito ao dizer mal.

A minha irmã liga-me três ou quatro vezes por dia, às vezes sem ser por nada, só para saber como eu estou. E eu desligo o telefone e rosno mas, nos dias em que isso por alguma razão não acontece, o meu dia tem menos sol e eu sinto a falta dela.
A minha irmã vai às compras e pensa na minha casa e liga-me só para me dizer que viu não-sei-quê que ficava mesmo bem na minha sala. E eu acho maravilhosa esta forma que ela tem de ser, num misto de Mamã e de Mana, e no dia a seguir vou lá ver o que ela recomendou.

A minha irmã tem o poder de me acalmar quando eu estou nervosa e de me dizer as coisas certas. Pensa sempre no que é melhor para mim e eu nunca me esqueço da extraordinária presença dela durante uma das fases mais dolorosas da minha vida. Talvez não me tenha dito o que eu queria ouvir, naquela altura, mas a verdade é que as palavras dela, pela ternura com que as disse, foram verdadeiros bálsamos em mim.

A minha irmã relembra-me, todos os dias, verdades verdadeiras e faz-me pensar na forma como olho o mundo, as coisas e as pessoas. E é essa certeza que ela está ali, a olhar por mim e para mim, que me faz ter mais confiança nos dias.

A minha irmã é única e maravilhosa e chata e extraordinária e irritante e encantadora.
Mas é minha e eu adoro-a todos os dias mais, e não sei viver sem ela e sem os miminhos irritantes dela.

E amanhã lá vou eu almoçar com a Marieke e com o João Madail Veiga
Em casa da minha irmã, claro está, que adora patrocinar estes encontros imediatos.

Quem tem uma irmã tem tudo e quem não tem é filha única. Essa é que é essa.

domingo, 17 de maio de 2009

Há sempre um amigo que te ajuda a chegar

Há umas noites atrás dei por mim a apreciar a romaria que se deslocava, a pé, a um bairro problemático aqui do burgo. Podia ser a Bela Vista local (até porque tem, de facto, uma vista belíssima sobre a cidade) mas ainda não chega a tanto.
Era vê-los a subirem com uma velocidade que poderia envergonhar a Rosa Mota nos seus tempos áureos. Aos pares, (como os Broa de Mel) ou aos trios (como os de Odemira), lá iam eles, com uma força nas pernas que não tenho, apesar do franzino dos seus corpos parecer adivinhar um desmaio a qualquer altura.
De início fiquei um pouco confusa... Para onde iria aquele gente toda às onze e tal da noite? Não sendo véspera de Natal não poderia, em princípio, ser à Missa do Galo, de maneiras que aquilo fez-me pensar.
O aspecto duvidoso dos cidadãos era evidente. Alguns bidentes, com duas dentolas apenas, a maioria, sem dúvida, tridentes, mas a maioria com ar de quem tinha feito uma pausa na formação sobre arrumação de automóveis (ou numa esquina estratégica) para se deslocar ali.

Tinha mesmo que ser uma coisa importante.

Eu e a minha Laura (que apesar de desaparecida em combate bloguístico está cada vez mais viva, com a graça de Deus) pusemo-nos a matutar. Àquela hora e depois de circuitos privados, já pouca coisa nos saía da boca que tivesse jeito, mas isso não nos impediu de alvitrar umas quantas hipóteses. Pensámos em segui-los, mas depressa concluímos que éramos moças para nos aleijarmos e não dava jeito passar o fim-de-semana com costelas partidas.

O que poderia haver naquele bairro de tão interessante? Catequese? Assistentes sociais em carrinhas ambulantes a preencher os papéis do rendimento social de inserção? Sopa quente?

A Laura disse que era capaz de ser cola-cao. Que ali, consta-se, vendia-se cola-cao (e de imediato nos vieram à memória a bota botilde, o fininho, este magnífico automóvel, os serões de segunda feira quando só havia dois canais e todo um universo de recordações deliciosas) do caro.

E ainda dizem mal destas pessoas que parecem arrumadores de carros... O que é um estigma social, estão a ver?? Os pobrezinhos fazem km a pé, em esforço evidente, apressados, para ir beber um leitinho com chocolate antes de irem prá caminha e ainda há gente maldizente que os aponta... Parece impossível...

Lindos meninos. A ver se vos crescem mais dentinhos.

sábado, 16 de maio de 2009

Good Advice


O nome das coisas

Quando duas pessoas se querem casar fazem uma festa de casamento.
Mas, e quando duas pessoas querem viver juntas? Fazem uma festa de quê?

(estas e outras dúvidas existenciais surgiram ontem, durante uma noite muito cúmplice, ao som de muito riso e muita palermice, e a conduzir (vaguear) pelo circuito da miséria que não prescindimos)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Amor


Porque uma imagem vale mais que um milhão de palavras.


terça-feira, 12 de maio de 2009

Teimosias

Não é especialmente fascinante a quantidade de pessoas que, só porque houve aí uns dias mais quentinhos, decidiram colocar toda a roupinha de Inverno no sotão.
Especialmente fascinante é que, mesmo que volte a fazer um frio dos diabos, que chova, que neve, que caia granizo, essas pessoas se recusem a ir lá acima buscar um casaquito ou outro, e que insistam, insistentemente, em usar os vestidinhos de alças, as sandálias escancaradas e as saias de Verão.

Mas esta gente não tem frio??

Kaótico

Eu tenho mesmo que me rir das coisas. A estupidez prolifera, saltita e está cada dia mais surpreendente. De facto, como diz o Pacheco Pereira, quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré. E, querida, tu até podes ter nascido num berço de ouro (que não é o caso, de todo em todo) mas hás-de ter sempre a cabeça cheiinha de coisas muito feias, muito sujas, muito hipócritas e muito más.
É que, olhando para ti de longe ou de perto, nunca diria que tinhas nascido na selva. Mas lá que és selvagem (como o cão que não conhece o dono) e perigosa (porque a inconsequência e a inconsciência são efectivamente um perigo) lá isso és.
Há coisas fantásticas, não há?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Até parecia mal não sublinhar isto...



Um beijo (muito) especial à 'nha Ana (ponto) que me saudou com felicitações de categoria, à 'nha Rosa Negra que me encheu de abracinhos azuis e, claro, ao meu Brad que, suspirando, comentou que, daqui ao Penta é um pedacinho de caminho muito curto.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Lá está...

Enviaram-me esta pérola, por email, como sendo parte integrante de um carro de Direito do Cortejo da Queima das Fitas de Coimbra, no passado Domingo.

Quem achou que esta era a geração rasca (que entretanto já cresceu, já deixou de ver os Morangos com Açúcar e já é quartanista na Universidade mais antiga do País, quiça da Europa) esqueceu-se que esta gente tem um sentido de humor nada rasca.

Sábio, diria eu.


quarta-feira, 6 de maio de 2009

Palitanço

De cada vez que ponho o pé fora da minha santa terrinha, venho cheia de coisas para contar. Neste burgo onde me encontro, e pese embora seja uma cidade que adoro, há criaturas castiças. Outras há, também, que valham-me as chaguinhas de Cristo.

Hoje, por exemplo, vi cerca de meia dúzia de populares a passearem-se frente ao Tribunal, andando para trás e para a frente, cerca das onze e meia da manhã. Até aqui, situação normal, não fosse o facto de ostentarem um palitinho espetado a sair da boca.

Ora vamos lá a ver o seguinte... Vamos analisar a coisa de duas perspectivas: uma a fazer de conta que entendo e, outra, a sério.
Se fizer de conta que entendo, tenho que perguntar o que raio palita esta gente antes de almoço? Restinhos do café com leite do pequeno almoço? A febra grelhada do jantar de ontem? Ou haverá recônditos mais atrasados e estaremos aqui a escarafunchar a dentuça cheia da mãozinha de vaca do almoço de domingo?? E fio dental, não gostam? Escova de dentes, não usam?

Na minha versão a sério a pergunta é evidente: para quê?? Terão a ridícula ideia de que lhes dá estilo? (não tenho memória de nenhum dos Bond mastigar palitinhos...) Acreditarão que faz bem exercitar a dentuça e a queixada? É que, se for esse o caso, já foi descoberto o conceito da pastilha elástica, de maneiras que não haverá necessidade de trincar madeira...
É que ainda se vos cresce um raminho de eucalipto no recto e isso é coisa para doer.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Les choses que j'aime

A Mariinha é uma querida. Isso já toda a gente sabe. Mas eu não sabia que a doçura dela poderia atravessar tantos km e chegar-me direitinha ao coração. Mas, agora que sei, sinto-me ainda mais especial.
Ela ofereceu-me um selo todo catita e disse-me para nomear cinco coisas que adoro na minha vida e explicar porquê.

- Adoro a minha filha mais do que tudo na minha vida. É a melhor pessoa que conheço, a mais pura, a mais bonita, a mais iluminada. É perfeita. Mas, mesmo que não fosse nada disto, que fosse uma pessoa péssima, maquiavélica, feia, escura, um poço de misérias, eu ia amá-la na mesma. Porque é e será sempre superior a mim.

- Adoro a minha Família e aqui estão incluídos os que são de sangue e os que não são. Porque são eles que me alisam as penas quando as asas me pesam, que me alumiam quando tudo à minha volta me parece assustadoramente escuro. Porque são anjos que me velam e ninguém vive sem anjos.

- Adoro música. De cantar, de tocar, de ouvir, apenas. A música transforma-me, renova-me, faz-me maior, leva-me para fora do que sou e de quem sou e faz-me levitar para patamares que, de outra forma, desconheceria por completo.

- Adoro rir. O riso, meu e dos outros, há-de sempre fazer-me acreditar que amanhã é outro dia, que a capacidade que temos de dar a volta ao que nos faz mal é incontornável. As gargalhadas, para mim, têm cheiro a manhãs de sol e devolvem-me o sabor dos entardeceres na praia.

- Adoro ser quem sou. Quando se demora muito a conseguir amar o pequeno inquilino que vive em nós (chamado Self) ganha-se um amor para a vida. Gosto das minhas qualidades, que tanto me são devolvidas pelos outros, dos meus defeitos, que tanto me protegem dos outros, do que sou como Pessoa, como Mulher e como Mãe.

Não vou passar o desafio a ninguém mas adoraria saber mais sobre as coisas que vos preenchem o coração.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Duetos Improváveis

Ora aqui está uma boa notícia, que nem só de gripe A vivem os leitores de jornais.
Este é um espectáculo que, mais que não seja por isto, valerá a pena não perder.
Não tenho dúvidas que ela não terá qualquer problema em cantar o que quer que seja. É uma artista plena, uma voz perfeita (perfeita mesmo e, para quem não ache, é só um dia ter a sorte e o privilégio de a ouvir cantar o Summertime...), uma cantora extraordinária.
E ainda bem que é ele a convidá-la a ela.

Nem quero imaginar o que seria o senhor a cantar "Oh People of My Homeland"

Medo.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Frases estúpidas

Pelo email de toda a gente (sem excepção) circulam coisas verdadeiramente extraordinárias.
São anjinhos e ursinhos com dizeres para a vida toda, paisagens da Tailândia com provérbios do Dalai-Lama, histórias de fazer chorar uma pedra da calçada, enfim, há uma panóplia de coisas que, bem detalhadas, mostram bem que as pessoas andam a sofrer de amnésia. Desde quando é que precisam de apresentações de computador para se lembrarem de verdades de sempre?
Porém, no meio desta diversidade toda, e nos chamados livros de auto-ajuda (suspiro), também se dizem muitos disparates.
Há uns dias alguém me enviou um email com a seguinte pérola:

- Vive o dia de hoje como se fosse o último.

Eu percebo o alcance da coisa, a sério que percebo. Mas a frase é estúpida. E muito perigosa.
Se toda a gente seguisse este conselho o mundo parava. Ninguém produzia. Eu própria, convenhamos, se realmente vivesse o dia de hoje como se fosse o meu último dia de vida, de certeza que não estava aqui a escrever no blog. A internet parava (alguém poria um coisinho a dizer"fechado" no google) porque toda a gente, sabendo que seria o seu último dia, não ia querer estar à frente de um pc, nem mesmo que lá fora estivessem a chover sapos, como o outro.
As empresas fechavam porque empregadores e empregados estavam a curtir largo e não quereriam, certamente, passar o seu ultimo dia a trabalhar.
As praias e as montanhas seriam inundadas de gente, que faria lixo (quem é que os iria obrigar a ir limpar depois, hun??) e barulho e, com o último dia de cada um, seria também o último dia da fauna e da flora. Passarinhos e plantinhas estropiadinhos e apedrejadinhos porque, sem consequências, matar-se-ia (também) a curiosidade mórbida bem ao jeito de Nuremberg.
As crianças entupir-se-iam em guloseimas multicoloridas (e tudo aquilo que toda a vida lhe foi proibido) e acabariam as últimas horas dos seus dias agarradas à barriga com uma valente diarreia.
Os criminosos (mesmo os mais recentemente convertidos) pilhariam todas as casas e lojas que encontrassem pela frente que, além de vazias (estariam todos na praia ou no campo ou a caminho, pelo menos) cumpririam o sonho máximo de riqueza que lhes atravessaria a mente.
Muita gente (muuuuuuita mesmo!!!) morreria de overdose.
Políticos morreriam (uuuuui, tantos!!!) porque, sendo o último dia, não haveria julgamento para actos mais espontâneos, e muita gente, faria Justiça, finalmente.
Seria, portanto, literalmente, o fim do mundo (em cuecas, nalguns casos).

Assim, apelo aqui aos senhores desocupados que fazem esses emails com os ursinhos e os anjinhos e as musiquinhas da Celine Dion em flauta de pan (arghhhhhh) que tenham mais cuidado nas pérolas que cospem.

Este já é um mundo suficientemente estúpido e irreflectido.
Nada de darem mais ideias parvas, ok?