sábado, 25 de julho de 2009

Ourives de Verão

Outro dos fascínios da praia, prende-se com esta mania irritante que o Povo tem, de usar brincos e pulseiras e colares e anéis no vasto areal e com eles passear-se mar dentro, chocalhando o ouro e as pedras que pendem das várias extremidades do corpo de cada um.
Eu, confesso, adoro adornos. Não saio, nunca-jamais de casa, sem brincos, anéis, pulseiras e relógio. Mas, para a praia, desde logo porque me atrapalham as construções na areia e o bezuntamento com o protector solar, já para não falar nas marcas no morenzeado que gosto de exibir, nem tal coisa, algum dia, me passou pela cabeça.
Há dias, na praia, estava à minha beira, uma mulher de cerca de quarenta e alguns anos, armada em senhora que claramente não era, frustrada por nunca ter aparecido na Revista Caras, duas argolas tipo rancho folclórico de Arrozais de Cima nas orelhas, um cordão tipo trela de pastor alemão da GNR a gritar-lhe na jugular, pulseiras a lembrar as tribos das mulheres girafa (só que estas eram no pulso e não no pescoço) e anéis que não deixavam ver, praticamente, os nós dos dedos.
Acho fascinante, desde logo, como é que alguém se equilibra com aquele peso todo em adereços e, depois, como é possível usar tantas coisas ao mesmo tempo.
Parece que estou a ver a areia a infiltrar-se debaixo dos pedrugulhos dos anéis, as algas a misturarenm-se com o rendilhado do colar e as conchas a fazerem joguinhos com o fecho manhoso das argolas.

Nem as noivas do Minho usam tanta tralha.
Ouro, só nos dentes, e há-de ser gente de Leste, para ser legítimo.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Diz-me onde te deitas

E depois há o maravilhoso mundo do estampado das toalhas de praia... melhor que um filme de terror, muito melhor do que um filme cómico, é ver com olhos de reparar, as toalhuças esvoaçantes do nosso areal.
Ele há para todos os gostos: desde as do Benfica com o símbolo e o passaroco em versão XL, as dos golfinhos sob uma lua de prateada a fazer lembrar alguns pirosérrimos aifaives, ele as há com publicidade manhosa à Coca-Cola, com semelhanças evidentes a toalhões de banho com logotipo de Hotel, com palmeiras escurecidas e queimadas pelo sol, com sunsets desbotados pelo tempo.
Também as há, depois, na versão infantil. Do Noddy, à Barbie, às Winx, ao Winnie the Pooh. Estas, enfim, ainda assim, mais suportáveis.

Mas nada, mesmo nada, chega à bela da toalha de praia com um estampado de moças nuas com mamas descomunais à mostra, em versão cartoon ou, prá doideira, em versão real. E é ver o moço que lá se deita, orgulhoso, com leves semelhanças com o Zézé Camarinha, correntinha de ouro a vislumbrar-se, de quando em quando, por entre o tapete que lhe cresce no peito, cuequita diminuta para aproveitar bem o sol (de preferência azul inglês ou vermelho), a deixar adivinhar uns desproporcionais testículos em relação à piloquita murcha e, quase sempre, bigode farfalhudo.

O que eu gosto do Povo. É mesmo um bicho fascinante.

domingo, 19 de julho de 2009

Oh, the bea(it)ch...

Gente que, na praia, faz a sua própria auto caça ao pêlo, de pinça em riste, devia ser esbofeteada.
Gente que, na praia, espreme coisinhas escuras e brancas das costas alheias, devia ser pontapeada.
Gente que, na praia, oscila entre chamar os filhos em francês e em português manhoso, devia ser cabeceada.


Pronto, está dito!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Pêlo sim, pêlo não...

Toda a vida odiei ir à depilação. Das primeiras vezes, lembro-me, até chorava e a dor era-me quase insuportável. Com o tempo aprendi a calejar a pele e as memórias e resignei-me ao facto incontestável que o que tem que ser tem muita força. São minutos de sofrimento que se hão-de traduzir, depois, em muitas horas de felicidade (ui, ui!!).
Convenhamos que não é uma coisa agradável tanto mais que, deixemo-nos de rodeios, dói que se farta.
A Margarida cuida do meu corpo há alguns anos e eu já não sei viver sem ela. Ela é cuidadosa, amorosa e, quando percebe que se está a aproximar da zona de perigo (leia-se a zona do bikini-e-um-bocadinho-mais-para-dentro) faz-me perguntas a ver se me desconcentra da dilacerante dor que me faz achar que parir é uma coisa agradável.
Sou absolutamente fã da depilação brasileira. Não obstante a Margarida ser portuguesa (eheheeh) desde que me vi (e, sobretudo, desde que me senti) depenadinha, não quero outra coisa. É outro conforto, outra higiene e, principalmente, dá para sentir tuuuuudo o que há para sentir...
Em vésperas de férias ela, como sempre, avança destemida pela minha intimidade, levanta perna, baixa perna, agora de cócoras, agora pendurada nos candeeiros. Já lhe expliquei que não vou exactamente para o Meco e estou-me positivamente nas tintas se um pêlo ou outro sobreviver àquele ataque feroz. Mas ela não está. E eu, normalmente, contorço-me, mordo a almofada, abro os olhos, corajosa, para evitar que as lágrimas me caiam.
Mas hoje, durante o arranca-arranca-puxa-puxa-desinfecta-com-alcool-espera-aí-que-só-falta-aqui-este-e-este, eu adormeci. Assim, sem mais. Caí para o lado. Lá estava eu, de barriguinha para baixo, a sentir o meu final de costas a ser praticamente violentado a frio, e não houve choros nem ai-ai-ai-que-isso-dói-mulher nem uma lagrimita ou outra. Nada. Ela avançava por mim acima (e adentro) e eu deixei-me cair naquele marasmo sádico e adormeci. Acordei com ela a tocar-me na mão e a perguntar se eu estava bem disposta, que já me podia virar.

Ou estou a ficar insensível nas partes baixas ou estou mesmo a roçar a exaustão....

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Ferraris

Há uns anos atrás namorei com um rapaz* que, de profissão, era engenheiro mecânico. À parte disso era absolutamente apaixonado por carros, e a Formula 1 fazia os seus encantos.
É à conta disso que, ainda hoje, sei tantas coisas sobre esse universo extraordinário que é o mundo dos veículos.

Ele dizia, muitas vezes, que os motores, antes de griparem, davam o seu melhor.
Eu, no auge do meu cansaço e da minha necessidade extrema de férias, não posso concordar mais. A semana que antecede as férias é, sem dúvida, a mais trabalhosa, a mais cheia, a mais intensa, a mais alucinada.

Sim, estou a dar para lá do meu melhor.
Se gripar, como os motores, espero que não gripe A.


(*Zé, se me está a ler, um kissinho pra si, tá?)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Catrina

A Catrina devia estar presa, encarcerada numa prisão sem janelas, a pão e laranjas e a água racionada.
Esta mulher misteriosa e, atrevo-me a dizer, perigosa, é a responsável (tenho eu para mim) pela existência dos pombos e das pombas e das pombinhas e dos pombinhos do nosso lindo Portugal.
Quem a mandou deixar que elas andassem de mão em mão, hun?? Quem foi que lhe disse que elas podiam ir ter à Quinta Nova e ao Pombal de S. João, hã?? Se ela tivesse tido cuidado as pombas não teriam andado por aí a prevaricar e a reproduzir-se como coelhos. Ao menos que lhes desse um contraceptivo qualquer... Mas não... A Catrina devia ser feminista e a favor da liberdade sexual das fêmeas... Grande estúpida, isso sim!!!

Lembro-me que, no dia do meu casamento, com a mania imbecil que as pessoas têm de atirar arroz aos noivos, à saída da Igreja (que estava toda iluminada e eu estava já casada) e aos meus pés, corria um lindo oceano (leia-se eram mais que as mães) de pombos e pombas horrorosas, prontinhas para se alimentarem do arroz que caía do céu... E, vá lá vá lá, que não se lembraram de me poisar no cabelo que estava, ele próprio, pejadinho de baguinhos de arroz...
Claro que me recusei a dar um passo que fosse. Claro que disse que afinal não tinha fome e que até nem me apetecia jantar... Claro que me recusei a mexer... As pombas, essas, com aquelas cabeças estúpidas e ridículas para trás e para a frente, ignoravam-me e riam-se de mim que eu bem as ouvia!! Nojentas!!!
Se não fosse a prontidão de um dos convidados em enxotá-las com um guarda-chuva previdente, ainda a esta hora lá estava, porque é sabido e bem evidente que eu jamais passaria no meio daquele pombal.

As pombas são bichos nojentos, são ratazanas com asas.
Aquilo é bicheza para trazer no corpo um monte de desgraças e misérias e pragas e doenças.
Quem é que, no seu juízo perfeito, vai para o parque dar milho a estes seres?? Quem é que compra (do verbo gasta dinheiro) a comprar comida para estas criatura nojentas??
E nem me venham falar da simbologia da pombinha da paz e da pombinha do raminho de oliveira a anunciar o fim do Dilúvio ao Noé. Isso era Deus Nosso senhor distraído e, ao tropeçar, num monte delas no parque, foi o primeiro bicho que lhe veio à idéia... Um periquito ou um canário tinham feito um trabalho melhor e mais bonito!! E com um som mais simbólico, que aquele cucurrurrurru faz um filme de terror parecer uma história infantil.

A Catrina devia ser era apedrejada, pensando bem!!!
Nojo! Porca! Nojo!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Coloured

Estas modernices politicamente correctas começam a dar-me um bocadinho nos nervos.
Agora já não há pretos nem brancos nem índios. Há negros, caucasianos, afro-americanos, nativos e depois há os delinquentes da Amadora e da Bela Vista mas isso é toda uma outra história.
Eu ainda sou do tempo em que os meus amigos pretos se riam com o esforço que as pessoas faziam para não os melindrar, chamando-os de pretos. E eles diziam que ninguém se ralava que nos chamassem brancos, apesar de sermos mais ou menos cor-de-rosa.
Mas, nos dias de hoje, as pessoas são africanas mesmo que tenham nascido e crescido no Bairro do lado.
Sempre odiei a expressão "pessoas de cor". Porque de cor somos todos, valha-me Deus, a menos que haja aí um ou outro mais adoentado e que esteja transparente, o que também não me parece nada bem. Ser de cor é uma evidência, não é uma raça.
No meio deste conceito de afro-americano, vulgo "pretos-não-assim-tão-pretos-nascidos-e-criados-em-terras-do-tio-sam" deixo-vos com três das melhores amostras que aquela terra tem de gente linda de morrer...

Africanos, americanos, pretos ou assim-assim... who cares?? São lindos de morrer e era prá vidinha... ui, ui....




segunda-feira, 6 de julho de 2009

Fada dos dentinhos?

Sou uma pessoa de hábitos continuados e as mudanças causam em mim, inicialmente, algum desconforto, mesmo que sejam mudanças para melhor.
E foi assim, partindo deste auto conceito basilar que, depois de duas décadas de fidelidade a um dentista, me vi forçada a mudar para uma dentista.
Sou sempre mais favorável a médicos homens, é verdade, porque acalento esta certeza estúpida que são substancialmente menos brutos que as mulheres. Veja-se, por exemplo no caso dessa área tão fascinante como é a ginecologia, esta parece-me ser uma verdade incontestável.
No entanto, nesta coisa de dentistas, e porque a higiene oral é tão maltratada e tão importante, decidi-me a mudar, a bem das minhas lindas dentuças.
Assim, depois de algumas pesquisas, fui parar ao consultório da Dra. Ana. Agradou-me os tenros 28 anos da moça (que perguntei pelo telefone, à cautela, quando marquei a consulta, não fosse sair-me uma jurássica de chave inglesa e martelo nas mãos), a ligeirinha pronúncia do Norte (estudou no Porto, pelo que me disse) e a extraordinária simpatia.
Fala pelos cotovelos (o que no meu caso é uma mais-valia) e soube descontrair-me o suficiente para ter querido marcar nova consulta.
Entrei no consultório declarando que odeio dentistas e os barulhos que os instrumentos dele fazem. Ela riu-se e disse que isso era dantes, que hoje já não era dramático ir ao dentista. Esta foi a parte em que ela mentiu ligeiramente. Os coisinhos continuam a fazer barulhos insuportáveis que não sei se chegam a causar dor, se apenas vontade de socar alguém.
Os cheiros também continuam a aborrecer-me. Ele é o látex das luvas dela, ele é aquele cheiro medonho daqueles bochechadeiros todos. Arghhhh…
Ainda me disse, antes de começar a limpeza e polimento que, caso estivesse a magoar-me, poderia levantar a mão para ela saber (dado que aquela posturazinha parva de boca aberta e aspirador na boca, deixa pouca margem para as palavras e para os insultos).
Tentei comportar-me, juro. Encolhia-me (ao ponto de, a meio, estar já a meio da cadeira), contraía-me e torcia-me até que, de repente, aquele barulhinho decidiu o fim do meu tormento e foi ver-me a levantar as duas mãos e as duas pernas (e mais mãos e pernas que houvesse) clamando piedade e misericórdia…

Apesar deste tanto, adorei a senhora e, de hoje a oito dias, lá estou eu outra vez, a tratar de uma dentuça traseira.

(parece muito mal dizer que há mais de quatro anos que não ia ao dentista, pois parece? Azar, já disse.)

domingo, 5 de julho de 2009

Match Point

Sabemos que o Ténis é mesmo importante para ele quando nos vemos obrigadas (sob ameaças de beicinho e de um vá-lá-vá-lá-anda-lá) a subscrever a Sport TV só para ver a final de Wimbledon em directo...



Ai, ai... Ao menos lavo as vistinhas que, de facto, o Roger é um pintas fantástico...


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Carrilhão de Mafra

A mim enerva-me um bocadinho, confesso, esta moda mais ou menos recente que os adolescentes têm de trazer penduricalhos no telemóvel. Ele é a Hello Kitty, ele é ursinhos e bichezas múltiplas, ele é guizos e chocalhos, ele é florinhas.
É sabido que os telemóveis servem para telefonar. Ultimamente, quer-me parecer que até há uns que tiram fotografias, fazem videos, tocam músicas e sintonizam a Radio Cidade. Até aqui, nem acho grave. Mas esta mania dos penduricos não deixa de me fazer pensar que, em andamento (é um telefone móvel), há-de fazer uma chinfrineira que há-de perturbar a ligação.
- E então, chavala, o pipal tá nessa de ir morfar... bora curtir a cena?
- tchlin, catchin, ya, bute, catchin, tchalin.

E depois dizem que os adolescentes têm dificuldade em comunicar... Pudera....

(mais grave ainda é ver os pós adolescentes, gente já com uma certa idade para ter juízo, já até a roçar os trinta, com pendurezas similares... Mas esta gente não tem noção dos limites da piroseira?)