Pois hoje de manhã o Brad saíu para ir tratar do carro e eu fiquei em casa, ainda de pijaminha, quentinha, cheia de planos bons.
No meio do meu dolce fare niente e, enquanto esperava que a máquina acabasse de lavar, decidi-me a ir à garagem buscar umas coisas. Peguei na chave e fechei a porta atrás de mim... mas, extraordinariamente, não levei chave de casa. Fiquei portanto, presa do lado de fora da minha casa.
Oh quanta alegria existe numa prisão domiciliária e quanto infortúnio reside numa prisão além-domicílio.
Desci até à garagem, escolhi o que que queria escolher e esperei. O Brad havia de voltar, afinal ele foi apenas tratar do carro, não foi comprar cigarros, logo, o perigo de voltar vinte anos depois, era (mais) reduzido.
Sem relógio, sem telemóvel, de pijama, estava confinada àquele espaço frio e pequeno. Esperei.
Pensei em milhares de coisas e, curiosamente, todas elas implicavam estar dentro de casa. Fazer um bolo, estender a roupa, ligar à minha Mãe, fazer as camas. Tudo coisas simples, à partida, mas difíceis, à chegada, para quem estava confinada a uma garagem.
Fiz planos. Olha a ver se compro aquele móvel para a casa-de-banho. Olha que ficava bem mudar aquelas prateleiras para a outra parede. Olha havia de dar uma volta às roupas da miúda.
Esperei. No meio da minha espera tive um ataque de riso: e se o Brad não puser o carro na garagem? e se tiver que sair e deixar o carro lá fora? Outro ataque de riso.
Vi passar uma aranha enorme, monstruosa. Ok, se calhar não era assim tão grande. Se calhar era um aranhiço, ok, se calhar foi só uma sombra.
Inspira, expira, relaxa. Não há-de haver registos de gente morta, subnutrida e desidratada dentro da própria garagem. Caneco, tenho que deixar de ver tantos CSI's.
O Brad chegou um hora e meia depois. Noventa longos minutos depois. Abriu-se o portão da garagem e lá jazia euzinha, sentada em cima de uma mala de viagem, a tentar habituar-me à luz. Coitadinha de mim. Abraçou-me, deu-me um beijinho na testa, riu-se baixinho, depois riu-se mais alto, depois levou com um olhar fulminante e calou-se.
Acho que nem no dia do nosso casamento gostei tanto de o ver.
6 cheios de bom gosto:
Parece que estou a imaginar a cena... ihihihihih!
Ahahahahahahahah [ das ] cenas dignas de registo sem dúvida!!
;))
É mais ou menos por estes motivos (agravados pelo facto de a chave mais próxima me obrigar a fazer 100 metros de uma rua onde eu já passei de ténis rotos mas onde prefiro não me imaginar de pijama!)que a minha mais recente paranóia (fechar a torneira de segurança da água imediatamente antes de me deitar...o que me obriga a abri-la logo que me levanto!) que fico com suores frios só de pensar que um destes dias posso não ter o reflexo de pegar nas chaves (o molho tem para aí uma 200 e faz um destes barulhos!)
Ahahahahahahah (ooops! :)
Uma hora e meia de retiro espiritual...olha que não é para todos ;)
deixa lá que já me aconteceu ficar fechada numa varanda cá de casa com a chave da porta por dentro e tive de partir o vidro porque não estava ninguém em casa nem ía chegar...
beijos
Postar um comentário