quinta-feira, 1 de março de 2012

Long live the King

Nas revistas cor-de-rosa (ou de casa-de-banho, depende do ponto de vista) não faltam notícias sobre a herdeira da Princesa Diana do Cadaval, Isabelle, ou sobre as novas Ianfantas europeias que nasceram por estes dias ou ainda sobre o facto de a Duquesa de Cambridge, a Duquesa da Cornualha e a Rainha terem ido juntas às compras.
A mim quer-me parecer que esta coisa da monarquia começa finalmente a ganhar um destaque maravilhoso. É que foram demasiados anos de glória para que possamos esquecer a real importância da Causa Real.
A mim quer-me parecer que as pessoas precisam de acreditar num modelo de união que, lamento, a República não é capaz de oferecer.
Vejamos por exemplo, o caso espanhol, onde os bascos se debatem há anos pela independência e os catalães suplicam pela autonomia. Eis que nasce uma Infanta e todo o povo castelhano se reúne para celebrar aquele acontecimento.
Não há dúvida que a monarquia une. Une, também, porque o Rei não é educado para ter uma vida comum. Ao invés, é educado, precisamente, para ser Rei. É educado na História, na Política, nas Relações Internacionais, no protocolo. É educado para governar. Não é, simplesmente, alguém com um passado (mais ou menos) político. Não. É alguém que cresceu para desempenhar uma função que é, em primeira instância, unir um Povo.

A mim quer-me parecer que, numa altura em que tantos clamam por mudança, esta poderia ser uma hipótese a pensar.
E, para os cépticos e descrentes que associam a actual monarquia portuguesa ao D. Duarte Pio de Bragança, deixem-me lembrar que sim, é um homem brilhante, extraordinariamente culto e com uma postura de vida ao serviço dos outros mas, por outro lado, não é pacífica a questão de, havendo um regime de monarquia constitucional, ser ele o representante do trono.

4 cheios de bom gosto:

Brisa disse...

Até há não muito tempo, não nutria grande consideração pela Monarquia, pois vi-a somente como um aspirador de erário público. Mas o tempo fez-me mudar de perspectiva, pelo que estou totalmente de acordo contigo. É preciso alguém que nos mantenha unidos, que não permita que nos esqueçamos de quem somos, que não esteja viciado em corrupção e joguinhos de interesses.

Raven disse...

Como historiadora afirmo-te que a questão não é pacifica nem deixa de ser. É meramente impossivel. Ele descende de D. Miguel, o qual assinou uma declaração em como ele e toda a sua futura descendencia abririam mão do trono português. Os reais descendentes actuais seriam os membros da familia Camara Pereira. No entanto, pessoalmente, sou contra a monarquia. Acho que só fazem correr tinta porque de resto, utilidade e reais funções, não têm.

Luísa Lopes disse...

Pois eu, como vivo por estes lados, quando nasceu a Infanta, o que ouvi foi que deviam castrar a Letícia. Não são tão amados como pode aparecer nas tais revistas de casa de banho, eheheh. Há simpatizantes de um conto de fadas, rainhas e princesas que depois vai-se a ver e tudo espremidito não vale um caracol. Ah e Espanha, como nação, realmente não existe.

Margarida Atheling disse...

Pois, também, como historiadora e alguém que tirou dois cursos de Genealogia e Heráldica, para além de ser filha, neta, bisneta (e por aí fora) de monárquicos e de, por isso, ter crescido num meio em que estas questões sempre estiveram em cima da mesa, afirmo, com toda segurança que não só é possível, como é a única possibilidade legítima.
O facto é que a D. Ana de Jesus Maria - a avó em que os Câmara Pereira fazem assentar a sua pretensa legitimidade ao trono - assinou, ela, um documento em que abdica dos direitos de sucessão para si e para todos os seus descendentes. Portanto, esses senhores, para além de virem depois na linha de sucessão, não têm, em virtude desse documento, qualquer direito de reinvidicar esses pretensos direitos.
Também acrescento que conheço alguns dos membros desse ramo Câmara Pereira e conheço, muito bem S.A.R. o Senhor D. Duarte (desde pequena), assim como sua Mulher e filhos e que, para além dos direitos históricos que têm, têm, igualmente, uma enorme seriedade e competência para ocupar esse lugar.